Açúcar natural pode impedir doença do fígado gordo

Estudo publicado na revista “Science Signaling”

26 fevereiro 2016
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Investigadores americanos demonstraram que um açúcar natural, a trealose, impede a doença do fígado gordo ou esteatose hepática, dá conta um estudo publicado na revista “Science Signaling”.
 

Os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA, constataram que a trealose impede a frutose (que se acredita que seja um dos principais contribuintes da doença hepática gorda não alcoólica) de entrar no fígado e desencadeia um processo celular que limpa o excesso de acumulação de gordura no interior das células hepáticas.
 

Alguns estudos têm demonstrado que a doença hepática gorda não alcoólica desenvolve-se devido ao facto de o fígado ter de fazer um esforço extra para processar o açúcar presente na dieta, especialmente frutose, encontrada na fruta, mas também adicionado a refrigerantes e a muitos alimentos processados. Em última análise, o organismo armazena a frutose no fígado sob a forma de gorduras denominadas triglicerídeos. Em casos graves de doença, a gordura pode acumular-se até níveis tóxicos que podem, eventualmente, exigir um transplante hepático.
 

O papel da dieta rica em açúcar na doença hepática gorda não alcoólica tem sido associada a várias condições, como a obesidade, resistência à insulina, pressão arterial elevada, para além de outros marcadores da síndrome metabólica. Desta forma, parece contraproducente tratar uma condição que parece ser causada, pelo menos em parte, pelo consumo de açúcar, com mais açúcar.
 

Contudo, os investigadores, liderados por Kelle H. Moley, verificaram que de facto a trealose, um açúcar natural encontrado nas plantas e insetos e que consiste em duas moléculas de açúcar, pode ter um papel importante na doença hepática gorda não alcoólica.
 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que uma proteína encontrada na superfície das células hepáticas, a GLUT8, era necessária para que os ratinhos desenvolvessem doença hepática gorda em resposta a uma dieta rica em frutose.
 

Os investigadores sabiam que a GLUT8 transportava grandes quantidades de frutose para as células hepáticas. Desta forma tentaram encontrar formas de bloquear a GLUT8, tendo analisado o possível efeito da trealose, uma vez que já tinha sido demonstrado que este açúcar promovia a digestão de proteínas anormais pelas células cerebrais. Neste estudo, os investigadores decidiram verificar se o mesmo poderia acontecer com a acumulação de gordura nas células hepáticas.
 

O estudo apurou que a trealose bloqueia o transporte de energia na forma de açúcar nas células hepáticas, fazendo com que as células se comportassem como se estivessem sem alimento. Quando uma célula está neste estado pode ativar um processo conhecido por autofagia e começar a consumir a gordura já armazenada na célula. Contudo, o processo não é específico para a gordura e pode drenar células de proteínas, açúcares e outros resíduos.
 

"Parece que estamos sequestrar a própria via da ‘fome’ do fígado utilizando um açúcar que já se encontra na natureza. Acreditamos que a autofagia pode ser desencadeada quando a célula está stressada devido à acumulação de gordura ou proteínas. A célula ativa a autofagia em resposta ao stress ou à falta de energia e começa a devorar coisas. É uma limpeza da casa”, conclui Brian J. DeBosch.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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