Açúcar não está associado à doença hepática não alcoólica

Estudo publicado na revista “Gastroenterology”

06 novembro 2013
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Contrariamente às crenças atuais, o consumo de açúcar não está diretamente associado à doença hepática não alcoólica. O estudo publicado na revista “Gastroenterology” refere que na realidade, é a adoção de uma dieta de elevado teor calórico que promove a progressão desta doença hepática.
 

Para o estudo os investigadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, focaram-se em homens obesos para comparar o efeito do consumo elevado de dois tipos de açúcares, a glucose e a frutose, em duas condições distintas: manutenção de peso (ingestão de uma dieta com um teor calórico moderado) e ganho de peso (ingestão de uma dieta com um elevado teor calórico).
 

O estudo apurou que durante o período de aumento de ingestão de calorias, todos os participantes apresentaram, tal como esperado, um aumento do peso corporal, do perímetro da cintura e da gordura corporal total. Curiosamente, a saciedade permaneceu inalterada, apesar do ganho de peso ocorrido durante a dieta de elevado teor calórico. Estes resultados reforçam a noção das "calorias escondidas" em bebidas, uma vez que os participantes consumiram parte das calorias através de bebidas.
 

Os investigadores observaram também que, independentemente do açúcar consumido, durante o período de manutenção de peso, não se observaram alterações significativas no fígado. No entanto, ao longo do período de aumento de peso, foram constatadas alterações características da doença hepática não-alcoólica, incluindo esteatose ou fígado gordo e elevados níveis sanguíneos de triglicerídeos e transaminase.
 

Estes resultados sugerem assim que a frutose e glucose têm efeitos comparáveis no fígado e que o consumo de calorias é o fator responsável pela progressão da doença hepática.
 

“Com base nestes resultados, não se justifica a recomendação de uma dieta com baixo teor de frutose e glucose para prevenir a doença hepática não-alcoólica. O melhor conselho a dar a estes pacientes é manter um estilo de vida saudável com a adoção de uma dieta equilibrada e prática de exercício físico”, revelou, em comunicado de imprensa um dos autores do estudo, Ian A. Macdonald
 

“O nosso estudo mostra que mesmo pequenas alterações no estilo de vida podem ter um grande impacto no fígado”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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