Acredita em «almas-gémeas»?

Quem pensa ter encontrado a «cara-metade» é mais feliz, sugere estudo

29 abril 2002
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Muito se fala sobre «alma-gémea», «cara-metade» ou amor à primeira vista. Certas crenças místicas difundem teorias de que no início da humanidade uma luz cósmica terá dividido em duas almas gémeas, que se separaram para poderem evoluir individualmente. Um dia, garantem os místicos, as duas irão unir-se pela Luz.
 

 

 

Embora seja uma teoria cheia de beleza, do ponto de vista puramente científico, a «alma-gémea» é um assunto muito polémico. Mas um novo estudo sugere que apesar de não existir algo como «alma-gémea» perfeita, é possível acreditar que partilha a vida com uma.
 

 

Desenvolver a ideia de que o seu companheiro é a sua própria imagem reflectida no espelho e encontrar pontos em comum que o tornem muito semelhante, são mecanismos mentais muito positivos.
 

 

Esse tipo de «egocentrismo», que poderia parecer prejudicial para a relação, na verdade, é a base de uma «relação romântica estável e satisfatória».
 

Sandra L. Murray, líder do estudo da Universidade do Estado de Nova Iorque, em Buffalo, explicou o assunto à Reuters: «Ter a noção que um parceiro é parecido consigo dá aos casais a ideia de terem encontrado um espírito semelhante, alguém que é como eles, sabe e entende como realmente são».
 

 

Num mundo de relações complexas, esse «egocentrismo» pode ser benéfico, pelo facto de oferecer o sentimento de que o companheiro é uma «alma gémea».
 

 

Compreensão e satisfação
 

 

O estudo, que foi publicado na edição de Abril do Journal of Personality and Social Psychology, relata a avaliação de 105 casais que viviam juntos há pelos menos dois anos e 86 jovens namorados.
 

 

Os participantes responderam a questionários sobre as suas próprias virtudes, valores e sentimentos, bem como à percepção que têm sobre os companheiros. Em duas das questões apresentadas, os investigadores pretendiam saber se os casais se sentiam «compreendidos» pelos parceiros e se estavam satisfeitos com a relação.
 

 

Em geral, as respostas revelaram ser comum que os voluntários encontrassem semelhanças com as suas «caras-metade» em vários itens, mesmo que estas não correspondessem à realidade.
 

 

Entre as pessoas casadas e casais que viviam juntos, os «egocêntricos» estavam mais satisfeitos com a relação que os parceiros. Esses voluntários também consideraram ser mais compreendidos pelos pares.
 

 

Também entre os voluntários casados e namorados, tanto homens como mulheres com parceiros egocêntricos tenderam a sentir-se «mais compreendidos».
 

 

Os autores lembraram que esses casais não estavam completamente enganados. Quem era mais semelhante sentiu-se mais compreendido pelo outro.
 

 

Mas em caso de conflito, estes argumentos parecem ser insuficientes para apaziguar o descontentamento. É que, apesar de achar ter como companheiro a sua «cara-metade», existem características que não existem na realidade.
 

 

São estas percepções confusas que podem trazer problemas quando existem divergências ou conflito. Por isso, mesmo que tenha encontrado a Luz da sua vida, o melhor é não facilitar...
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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