Ácidos gordos trans associados a uma pior memória

Estudo publicado na revista “PLOS ONE”

22 junho 2015
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Um maior consumo de ácidos gordos trans na dieta, habitualmente utilizados nos alimentos processados para aumentar o sabor, textura e durabilidade, está associado a uma pior função da memória em homens com idade igual ou inferior a 45 anos, dá conta um estudo publicado na revista “PLOS ONE”.
 

Para o estudo os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, avaliaram os dados de 1.018 homens e mulheres que preencheram um questionário alimentar e foram submetidos a um teste de memória que envolvia a memorização de palavras.
 

O estudo apurou que, em média, os homens com 45 ou menos anos recordavam-se de 86 palavras. Contudo, por cada grama adicional de ácidos gordos trans consumidos por dia, o rendimento diminuiu em 0,76 palavras. Isto traduziu-se em menos 12 palavras recordadas para os homens com níveis mais elevados de ingestão de ácidos gordos trans, comparativamente com aqueles que não consumiam gorduras trans.
 

“Os ácidos gordos trans foram mais fortemente associados a uma pior memória nos anos de maior produtividade dos homens”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Beatrice A. Golomb.
 

Após os investigadores terem tido em conta a idade, prática de exercício físico, educação, etnia e humor, a associação entre os ácidos gordos trans e uma memória mais fraca manteve-se nos homens com 45 anos ou mais novos.
 

Apesar de o estudo se ter focado predominantemente nos homens, a inclusão das mulheres na análise não alterou os resultados. A associação entre o consumo de ácidos gordos trans e a memorização de palavras não foi observada em populações mais velhas. De acordo com Beatrice A. Golomb, isto pode ser devido ao facto de os efeitos da dieta serem mais claramente demonstrados nos adultos mais jovens. Os danos e as lesões cerebrais acumulam-se com a idade e contribuem para uma maior variabilidade das pontuações de memória, o que pode impedir a deteção dos efeitos da dieta.
 

Os ácidos gordos trans têm sido associados a efeitos negativos no perfil lipídico, na função metabólica, resistência à insulina, inflamação, bem como na saúde geral e cardíaca. Em 2013, a Food and Drug Administration, nos EUA, emitiu um comunicado no qual era dito que as gorduras trans já não eram reconhecidas como seguras.
 

De acordo com o Centro e Controlo de Doenças, nos EUA, a redução do consumo de ácidos gordos trans poderia evitar 10.000 a 20.000 casos de enfarte agudo do miocárdio e 3.000 a 7.000 mortes por doença cardíaca, por ano, nos EUA.
 

“Os ácidos gordos trans aumentam a vida útil dos alimentos, mas diminuem a longevidade das pessoas”, conclui Beatrice A. Golomb.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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