Ácido gordo ómega-3 impede conhecido desencadeador do lúpus

Estudo publicado na revista “PLOS ONE”

04 outubro 2016
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O consumo de um ácido gordo ómega-3, o ácido docosahexaenóico, pode impedir um conhecido desencadeador do lúpus e de outras doenças autoimunitárias, dá conta um estudo publicado na revista “PLOS ONE”.
 
O lúpus é considerada uma doença genética causada, não só pela inalação de sílica cristalina tóxica, mas também por outros fatores ambientais, como exposição ao sol. O quartzo é a forma mais comum e perigosa de sílica cristalina e é frequentemente encontrada nas indústrias de agricultura, construção e mineira, onde os trabalhadores o podem inalar. 
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade do Estado de Michigan, nos EUA, analisaram o efeito do ácido docosahexaenóico nas lesões de lúpus nos pulmões e rins de ratinhos-fêmea que tinham sido geneticamente predispostos para a doença. 
 
Os investigadores constataram que 96% das lesões pulmonares foram impedidas com o ácido docosahexaenóico após terem sido desencadeadas pela sílica. Jack Harkema, um dos autores do estudo, referiu que nunca tinha visto uma resposta protetora tão grande no pulmão.
 
Apesar de ainda não se saber ao certo por que o ácido docosahexaenóico é capaz de impedir o desenvolvimento do lúpus, de acordo com os investigadores, este estudo fornece um modelo melhor para analisar a quantidade de ácido docosahexaenóico necessária para combater o desencadeador ambiental da doença. 
 
Nos pulmões existe um tipo de células imunitárias, os macrófagos, que são capazes de ingerir a sílica, mas como esta substância é tão tóxica mata a células. Quando isto ocorre, são enviados sinais que informam o sistema imunitário que algo de errado está a acontecer. Posteriormente, o organismo produz uma resposta tão forte que também começa a atingir as células saudáveis. 
 
De acordo com o investigador, o ácido docosahexaenóico pode alterar a forma como os macrófagos reagem à sílica nos pulmões e de alguma forma altera a resposta imunológica.
 
Uma das teorias é que o ácido docosahexaenóico ajuda as células a enviar um sinal anti-inflamatório para o organismo de forma a não desencadear uma resposta autoimune. É possível também que, de alguma maneira, o ácido docosahexaenóico ajude a células a remover a sílica tóxica do pulmão sem morrerem, impedindo o envio de sinais inflamatórios.  
 
James Pestka conclui que este estudo indica claramente que o consumo de ácido docosahexaenóico, que pode ser encontrado em peixes gordos, pode realmente impedir este desencadedaor ambiental do lúpus. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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