Ácido fólico pode diminuir o risco de autismo provocado por pesticidas

Estudo publicado na revista “Environmental Health Perspectives”

12 setembro 2017
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Investigadores da Universidade da Califórnia, Davis, EUA, e outras instituições mostraram que as mães que tomam as doses recomendadas de ácido fólico na fase de conceção podem reduzir o risco de as suas crianças desenvolverem autismo relacionado com pesticidas. 
 
No estudo, crianças cujas mães tomaram 800 microgramas ou mais de ácido fólico (a quantidade presente na maioria das vitaminas pré-natais) tinham um risco significativamente menor de desenvolver perturbações do espetro do autismo (PEA) – mesmo quando as mães tinham estado expostas a pesticidas domésticos ou agrícolas associados ao aumento do risco.
 
“Verificámos que, se a mãe estava a tomar ácido fólico no período à volta da conceção, o risco associado a pesticidas parecia ser atenuado”, afirmou Rebecca J. Schmidt, professora assistente no Departamento de Ciências da Saúde Pública. 
 
Na investigação, que recorreu a dados do estudo Riscos Genéticos e Ambientais do Autismo em Crianças (CHARGE, sigla em inglês), os investigadores analisaram 296 crianças com idades entre os 2 e 5 anos que tinham sido diagnosticadas com PEA e 200 crianças cujo desenvolvimento tinha sido normal. As mães foram entrevistadas sobre a sua exposição doméstica a pesticidas, bem como sobre a toma de ácido fólico e vitamina B. A equipa também associou dados dos relatórios Uso de Pesticidas na Califórnia, que fornecem informações detalhadas sobre pulverização agrícola, à morada das mulheres.
 
As mães que tomavam uma dose inferior a 800 microgramas e estavam expostas a pesticidas domésticos tinham um risco muito mais elevado de ter uma criança com PEA do que as mães que tomavam 800 microgramas de ácido fólico ou mais e que não estavam em contacto com pesticidas. O risco associado aumentava para as mulheres cuja exposição era repetida. As mulheres que tomavam uma dose baixa de ácido fólico e que estavam expostas a pesticidas agrícolas durante o período de 3 meses antes da conceção e três meses depois da conceção também tinham um risco estimado alto.
 
“Uma toma de ácido fólico abaixo da média e a exposição a pesticidas estava associada a um risco mais elevado de autismo do que uma toma baixa ou exposição isolada”, afirmou Schmidt, membro do Instituto MIND da Universidade da Califórnia, Davis. “As mães que tinham um risco mais elevado eram as que estavam constantemente expostas aos pesticidas”.
 
Apesar do ácido fólico reduzir o risco associado de a criança desenvolver autismo, ele não eliminava completamente esse risco.
 
“O melhor é as mães evitarem a exposição crónica aos pesticidas durante a gravidez, se isso for possível”, acrescentou Schmidt.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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