Acidente vascular cerebral: eficácia do tratamento pode ser aumentada

Estudo publicado na revista “Blood”

01 fevereiro 2017
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Investigadores americanos demonstraram que a administração de um fármaco conjuntamente com o ativador de plasminogénio tecidual (tPA, sigla em inglês) pode melhorar os resultados do acidente vascular cerebral (AVC) e aumentar a janela de oportunidade da terapia, atesta um estudo publicado na revista “Blood”.
 

Habitualmente o tratamento dos AVC, causados por coágulos sanguíneos, envolve a infusão do tPA, que pode ajudar a dissolver os coágulos e restaurar o fluxo sanguíneo. No entanto, este tratamento está associado ao risco de hemorragias e tumefação cerebral e deve ser administrado nas três primeiras horas após o início do AVC, o que limita bastante os seus benefícios.
 

No estudo, os investigadores do Centro Diabetes de Joslin, nos EUA, demonstraram que os fármacos que têm por alvo uma proteína denominada calicreína plasmática, assim como uma proteína ativadora conhecida por fator XII podem tornar o tPA mais seguro ao reduzirem as complicações e aumentaram a sua eficácia nos vasos sanguíneos.
 

Os investigadores, liderados por Edward Feener, constataram que o tPA aumenta a atividade da calicreína plasmática tanto no plasma humano como de ratinho.
 

Os investigadores utilizaram modelos de ratinho nos quais os coágulos sanguíneos foram induzidos nos cérebros e tratados posteriormente com tPA. Os animais aos quais foi administrado um inibidor da calicreína plasmática e aqueles que foram geneticamente modificados para produzir quantidades menores de proteína apresentaram significativamente menos hemorragias, tumefação cerebral e áreas cerebrais danificadas, comparativamente com os animais controlo em que a calicreína plasmática não foi bloqueada.
 

Os cientistas também analisaram os mecanismos biológicos através dos quais a tPA ativa a calicreína plasmática, via a proteína fator XII, que promove a coagulação. A calicreína plasmática é conhecida por ativar o sistema calicreína-cinina, uma via que tem sido envolvida em complicações associadas ao AVC incluindo tumefação cerebral e rutura da barreira sangue cérebro.
 

Segundo o Centro Diabetes de Joslin, em informação veiculado na sua página da Internet, a Food and Drug Administration, nos EUA, já aprovou um inibidor de calicreína plasmática para o tratamento do angioedema hereditário. Atualmente várias empresas farmacêuticas estão a desenvolver mais inibidores para esta doença genética e outras condições, incluindo edema macular diabético.
 

Estes novos achados sugerem que os inibidores da calicreína plasmática podem também ter um papel importante na terapia trombolítica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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