Acampar pode ajudar a regular relógio interno

Estudo publicado na “Current Biology”

20 agosto 2013
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Um estudo conduzido por investigadores da Universidade do Colorado-Boulder, EUA, indica que acampar no meio da natureza pode ajustar o nosso relógio interno segundo o dia solar.

 

A equipa de investigadores baseou o seu estudo na monitorização de oito participantes, seis homens e duas mulheres com uma idade média de 30 anos. Tirando o melhor partido da região onde está situada a universidade, que é famosa pelos seus belos parques de campismo, a equipa acompanhou os participantes durante uma semana nas suas atividades normais.

 

Os participantes passaram depois uma outra semana a acampar no meio da natureza da região do Colorado, sem qualquer acesso a equipamentos eletrónicos ou a lanternas. Durante este período, os participantes utilizaram uma pulseira no pulso para registar a quantidade de luz à qual eram expostos, os tempos de luz, bem como as suas atividades, incluindo o sono.

 

Os investigadores analisaram os ritmos circadianos dos participantes ao fim de ambas as semanas através da medição da melatonina, a hormona que sinaliza o início da nossa noite biológica.

 

Os resultados revelaram que as noites biológicas dos participantes começavam duas horas mais cedo durante a semana em que estiveram a acampar (em que só estavam expostos a luz solar e a fogueiras), comparativamente a quando estavam expostos à luz elétrica no seu dia-a-dia normal. Foi também determinado que, durante a sua vida normal, os participantes acordavam antes da sua noite biológica ter terminado.

 

Segundo os investigadores, isto sucedeu devido ao facto de os padrões de sono dos participantes terem ficado sintonizados com os do nascer e do pôr-do-sol, o que se verificou independentemente do facto de os participantes na sua vida normal serem tendencialmente madrugadores ou ficarem a pé até muito tarde.

 

O facto de termos tido a oportunidade, desde os anos 30 do século passado, de podermos com um simples clique iluminar um quarto ou sala, e porque agora levamos para a cama equipamentos eletrónicos para nosso entretenimento, alterámos os nossos padrões de sono naturais. No entanto, segundo Kenneth Wright, líder deste estudo, “ quando ficamos expostos à luz natural, os nossos relógios voltam a ficar perfeitamente sincronizados com o dia solar em menos de uma semana”.

 

Este estudo vem demonstrar, assim, o quanto a luz natural e artificial afetam os nossos relógios biológicos. A equipa de investigadores aconselha, para combater as diferenças nos ritmos noturnos, a expormo-nos mais à luz solar durante a manhã e meio-dia para despertar o relógio interno mais cedo e baixar a intensidade da luz elétrica à noite, evitando ver televisão ou utilizar o computador até tarde.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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