Abrandamento no combate ao VIH/sida pode hipotecar conquistas

Declarações da diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida

10 julho 2018
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A diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida, Isabel Aldir, alertou para a necessidade de manter o empenho e investimento na luta contra a doença, considerando que um abrandamento pode hipotecar o que já foi conquistado.
 
“Tudo o que conquistámos até agora é facilmente hipotecado se houver um desaceleramento em algumas das estratégias, quer em termos de diagnóstico, quer em termos de luta contra o estigma, quer em termos de prevenção de novas infeções”, disse Isabel Aldir em declarações aos jornalistas durante a cerimónia de apresentação do relatório “Infeção VIH e Sida – Desafios e Estratégias”.
 
O programa das Nações Unidas para o VIH/sida - conhecido como 90/90/90 - pretende que, até 2020, 90% das pessoas com VIH/sida estejam diagnosticadas, que 90% dos diagnosticados estejam em tratamento e que 90% dos que estão em tratamento atinjam uma carga viral indetetável ao ponto de ser impossível transmitir a infeção.
 
Portugal já atingiu dois desses objetivos: a identificação das pessoas infetadas e as pessoas que têm carga viral indetetável.
 
De acordo com o último relatório da situação de Portugal, e com dados de 2016, 91,7% das pessoas que vivem com a infeção VIH estão diagnosticadas, 86,8% das pessoas diagnosticadas estão a ser tratadas e 90,3% das pessoas que estão em tratamento têm carga viral indetetável.
 
Portugal está entre o restrito grupo de países europeus com mais pessoas com VIH diagnosticadas e com mais doentes em tratamento que deixaram de transmitir a infeção, revelou hoje um responsável da Organização Mundial da Saúde (OMS).
 
Isabel Aldir explicou à Lusa que esta é a tradução de todo um empenho que tem existido por parte de toda a sociedade na luta contra esta doença mostrando que é possível alcançar o objetivo de eliminar a doença enquanto problema de saúde pública em Portugal.
 
Esta área, adiantou, foi sempre vista como prioritária por todos os governos nos últimos 35 anos.
 
Sobre o diagnóstico da doença, existe ainda em Portugal uma percentagem considerável de diagnósticos tardios que, segundo Isabel Aldir, é mais frequente nos heterossexuais, uma franja da população que não se identifica como estando em risco.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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