Aborígenes australianos vivem menos anos

Povos nativos não chegam à terceira-idade

28 março 2002
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Embora se pense que a vida selvagem traz mais saúde e longa vida, a verdade é que não é bem assim... Dados oficiais australianos referem que os aborígenes – povo nativo da Austrália - têm, em média, menos 25 anos de vida que os brancos e menos 15 que os índios da Nova Zelândia e dos Estados Unidos.
 

 

Enquanto a média de idade de morte entre a maioria dos australianos foi de 78 anos em 2000, os aborígenes, considerados os australianos mais desamparados, morrem aos 53 anos, segundo dados do Australian Bureau of Statistics (Departamento de Estatísticas da Austrália).
 

 

A título de exemplo, um bebé do sexo masculino não-indígena que nascer hoje na Austrália tem uma esperança de vida de 77 anos, enquanto no caso das mulheres a média aumenta para os 82. Mas as crianças nativas não vão ter a mesma sorte.
 

 

Em média, uma mulher aborígene viverá até os 63 anos, enquanto um homem atingirá em média os 56.
 

Para tirar as dúvidas, os dados ainda foram comparados a populações indígenas de outros países. Os homens maori, da Nova Zelândia, vivem em média 67 anos e as mulheres, 72, enquanto os índios americanos têm uma esperança de vida de 71 anos.
 

 

Patrick Corr, director de demografia do ABS, explicou as razões para que os nativos australianos vivam menos anos. "Os aborígenes têm uma esperança de vida e idade média menores e isso pode estar ligado a factores de saúde, ambientais e sociais".
 

 

As causas de morte entre os 400 mil aborígenes australianos também é diferente do restante dos 19,3 milhões de habitantes do país. Acidentes, agressões e automutilação totalizam 15 por cento das mortes entre os indígenas, enquanto entre os brancos, esses factores correspondem apenas a seis por cento dos óbitos.
 

Quanto às doenças, a diabetes melito atinge oito por cento dos indígenas, enquanto na restante população a taxa desce para os dois por cento.
 

 

No entanto, as doenças do sistema circulatório são as que mais preocupam os aborígenes, já que 28 por cento das mortes estão ligadas a essa causa, seguido de cancro (16 por cento) e disfunções nutricionais, metabólicas e endócrinas (nove por cento).
 

 

Em 2000, as baixas entre a população tribal foi o dobro das ocorridas entre os brancos, com 15 mortes a cada grupo de mil contra seis a cada mil, respectivamente.
 

Para as entidades oficiais, estas informações revelam a necessidade de programas que lutem contra o abuso de álcool e drogas, problemas de saúde, desemprego e alta incidência de detenções nas comunidades indígenas.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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