Abelhas contra a cárie

Substância resinosa com que as abelhas tapam as fendas dos cortiços ataca as bactérias da boca

09 setembro 2001
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Até pode parecer ironia, mas o mesmo insecto que produz uma das maiores fontes de cárie também guarda o segredo para combatê-la. A própolis, fabricada pelas abelhas para construir colmeias, é capaz de eliminar as bactérias que se alojam na boca.
 

 

Um estudo elaborado por investigadores brasileiros, demostrou que a própolis reduz em 40 por cento a placa bacteriana. Em testes efectuados em animais, a percentagem subiu aos 60 por cento.
 

 

A descoberta é de tal modo importante que os cientistas querem, agora, desenvolver uma pasta de dentes, ou uma solução para bochechar, que contenha própolis, ajudando, deste modo, a baixar a incidência do maior inimigo da saúde bucal.
 

 

Michel Hyun Koo é engenheiro na área de alimentação e foi o principal responsável pela orientação deste estudo. Koo viajou pelo Brasil e recolheu 2.500 amostras de própolis. Depois de vários meses vividos no meio de florestas e campo, o investigador regressou ao laboratório e identificou cerca de 100 componentes, dos quais dois se mostraram eficazes contra a bactéria Streptococcus mutans, hóspede mais assíduo da boca.
 

 

Como actuam?
 

 

As duas substâncias descobertas agem sobre uma enzima da bactéria considerada vital para sua sobrevivência, a GTF. A enzima destrói o açúcar que serve de alimento para as abelhas, permitindo a produção de glucano – uma espécie de cola biológica usada pelos insectos para se fixarem à superfície. ”É assim que a bactéria se cola ao dente. Passa, então, segregar ácido, que corrói o dente, formando a cárie”, explica o dentista Jaime Cury, que também participou no estudo.
 

 

Os primeiros testes foram feitos em laboratório, quando a própolis eliminou 95 por cento das bactérias. No entanto, nem tudo o que acontece dentro dos tubos de ensaio se repete no mundo real. Depois dos testes em ratos - nos quais a substância suprimiu 60 por cento da placa bacteriana -, a própolis perdeu um pouco de sua eficácia. Em humanos, reduziu em 40% a incidência da Streptococcus mutans.
 

 

Novos testes clínicos foram, então, iniciados. Depois de alguns meses de trabalho, os investigadores descobriram que além de eliminar as bactérias, a própolis também conseguiu inibir a formação do glucano em 75 por cento. De acordo com Cury, a clorexidina - substância usada actualmente no tratamento anticárie - elimina 70 por cento da placa bacteriana, mas reduz a cola biológica em apenas 45 por cento. ”Desse ponto de vista, a própolis é mais eficiente, pois não deixa a bactéria instalar-se”, afirma o investigador.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Folha de São Paulo
 

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