A velocidade com que se perde peso não tem importância

Estudo publicado na revista “The Lancet Diabetes & Endocrinology”

20 outubro 2014
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Perder peso de forma lenta e constante ou num curto espaço de tempo não influencia a quantidade ou taxa de peso ganho posteriormente, dá conta um estudo publicado no “The Lancet Diabetes & Endocrinology”.

 

Para este estudo, os investigadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, decidiram analisar se nos indivíduos obesos a perda de peso a uma taxa inicial lenta, tal como aconselham as atuais diretrizes, resultava numa maior redução de peso e num ganho de peso menor a posteriori, comparativamente com a perda de peso a uma taxa inicial rápida.

 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 200 indivíduos obesos (IMC 30-45kg/m²) os quais foram aleatoriamente incluídos em dois grupos distintos. O primeiro grupo foi submetido, ao longo de 12 semanas, a um programa de perda de peso rápido (PPR) e sujeito a uma dieta com teor de calorias muito baixo, na ordem das 450-800 kcal/dia. No segundo grupo, os participantes foram submetidos a um programa de perda de peso lento (PPL), que teve a duração de 36 semanas. Neste último programa, os valores energéticos das dietas dos participantes foram reduzidas em cerca de 500kcal/dia, tal como é atualmente recomendado. Os participantes que perderam cerca de 12,5% do seu peso foram mantidos numa dieta de manutenção de peso ao longo de três anos.

 

O estudo apurou que os participantes que tinham perdido  peso mais rapidamente eram mais suscetíveis de atingir a perda de peso desejada, com 81% dos participantes do grupo PPR a perderem 12,5% do seu peso comparativamente com os 50% do grupo PPL. Verificou-se também que dos pacientes que entraram na dieta de manutenção de peso, a taxa inicial de perda de peso não afetou a quantidade ou taxa de peso posteriormente ganha. Na verdade, a quantidade de peso ganha após os três anos foi semelhante e independente do programa dietético que tinham adotado. 

 

“As diretrizes mundiais atuais recomendam a perda de peso gradual para o tratamento da obesidade, refletindo a crença amplamente difundida de que a rápida perda de peso é recuperada mais depressa. No entanto, os nossos resultados demonstraram que a probabilidade de atingir a meta dos 12,5% da perda de peso é maior quando a perda de peso é realizada num curto espaço de tempo”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Katrina Purcell.

 

Os autores do estudo sugerem várias explicações para estes resultados. A ingestão limitada de hidratos de carbono nas dietas com um baixo teor de calorias pode promover uma maior saciedade e menor ingestão de alimentos através da indução da cetose. A perda de peso rápida pode também motivar os participantes a persistirem com a dieta e desta forma alcançarem melhores resultados.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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