A rinite alérgica em Portugal

Cerca de 930 mil portugueses atingidos

21 março 2001
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Cerca de 9.3% da população portuguesa sofre de rinite alérgica, o equivalente a mais de 930 mil doentes, segundo dados de um estudo epidemológico recente desenvolvido pela Sociedade Portuguesa da Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). Este estudo foi denominado “Redifinir a Rinite”.
 

 

A rinite alérgica pode ser definida como uma reacção de hipersensibilidade do nosso organismo perante determinadas substâncias – antigénios – que podem ser inaladas, ingeridas ou injectadas e que leva à produção de determinados anticorpos e ao consequente desencadeamento de uma reacção alérgica.
 

 

A reacção alérgica pode caracterizar-se por uma inflamação do revestimento nasal causando sintomas como rinorreia, espirros e nariz entupido na ausência de infecções respiratórias altas. O doente alérgico pode apresentar outros sintomas como conjuntivite (em 60% dos casos), prurido nasal, lacrimejo, entre outros.
 

 

Pode ser ou não possível identificar o agente alérgico. A rinite, segundo este estudo, pode ser dividida em 2 tipos principais: rinite alérgica sazonal e perene. A primeira é causada, na maior parte dos casos por pólens disseminados pelo vento, variando o seu tipo com o clima particular de determinada região geográfica e com as estações do ano. Em Portugal são os pólens das árvores os principais responsáveis nos meses de Fevereiro e Março e, em Maio e Junho, as gramíneas.
 

 

A rinite alérgica perene apresenta os mesmos sintomas que a variante sazonal mas com obstrução nasal mais intensa. Os alergénios responsáveis nestes casos são geralmente domésticos, como ácaros do pó da casa, pêlos de animais, algumas espécies de fungos e baratas.
 

 

Segundo o estudo do SPAIC, a rinite alérgica atinge maioritariamente as mulheres, com 10,4% de doentes, contra apenas 8,7% dos homens. As zonas de maior prevalência são os distritos de Lisboa, Aveiro e Portalegre, seguidos da região do Alentejo.
 

 

Cerca de metade dos casos de rinite são do tipo sazonal, enquanto os tipos perene (crónica) e perene com agravamento sazonal representam um quarto dos casos. Sintomas como espirros, rinorreia, obstrução nasal e lacrimejo manifestam-se com mais incidência nos meses de Março a Maio e de Setembro a Novembro, e são desencadeados por factores como o pó da casa e pólens (62%), mudanças de temperatura, humidade e/ou ar condicionado (51%), fumos (47%) e odores (39%).
 

 

Cerca de 11% dos doentes inquiridos afirmam que a doença interfere directamente com o desempenho das suas actividades diárias, enquanto 32% dizem que esta interferência é moderada e 55% não sentem qualquer consequência da doença no seu dia a dia.
 

 

O estudo aponta como factores de risco para a rinite alérgica o facto de pertencer ao sexo feminino, ser de raça caucasiana, exercer uma actividade profissional nos sectores secundário e terciário, uma história familiar alérgica, antecedentes pessoais alérgicos e a presença de qualquer das condições associadas. A convivência com gatos e com animais de criação associou-se a uma menor prevalência da rinite.
 

 

O estudo contou com a colaboração de 229 clínicos gerais dos centros de saúde de Portugal continental que inquiriram cerca de 26.000 utentes.
 

 

A SPAIC, em colaboração com o Laboratório de Paleoecologia da Universidade de Lisboa e com o apoio logístico e financeiro da Schering-Plough Farma, viu ainda concretizado o 1º Mapa polínico Nacional cobrindo em simultâneo as várias regiões do país escolhidas por critérios que respeitam a diversidade biogeográfica nacional, bem como aspectos demográficos. Os dados recolhidos são importantes para a investigação alergopolinológica e para o diagnóstico e prevenção da doença alérgica em Portugal.
 

 

Fonte: SPAIC

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