À procura do sangue artificial

Cientistas portugueses desenvolvem composto sintético para substituir sangue nas cirurgias

05 dezembro 2002
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Investigadores da Universidade de Aveiro (UA) estão a desenvolver um composto sintético para substituir o sangue em cirurgias, urgências ou transplantes.
 

 

O estudo em desenvolvimento pelo departamento de Química da UA tem como objectivo a procura de alternativas viáveis ao sangue, baseadas em compostos conhecidos como perfluorocarbonetos (PFC+s).
 

 

"Estes compostos sintéticos poderão funcionar como substitutos do sangue na função de transporte de oxigénio", disse à Agência Lusa a investigadora responsável pelo estudo, Isabel Marrucho, acrescentando que os PFC+s "têm uma capacidade de solubilização de oxigénio e dióxido de carbono muito maior do que a hemoglobina".
 

 

Além disso, acrescentou, não são tóxicos, são biocompatíveis, não são absorvidos pelos tecidos e apresentam baixa tensão superficial, o que, na opinião da investigadora, faz dos PFC+s uma "alternativa promissora".
 

 

A ideia final da equipa de investigação é construir um banco de dados que contenha todas as informações acerca de cada um dos compostos, de forma a que médicos ou fisiologistas consigam afinar a mistura de PFC+s, adequando-a à aplicação que se pretende.
 

 

"Cada tecido tem a sua necessidade específica de oxigénio e, por isso, de acordo com a aplicação que se pretende é utilizada uma mistura de PFC''s cujas propriedades sejam as mais apropriadas", explicou a investigadora.
 

 

Segundo Isabel Marrucho, a mais-valia destes compostos estará na possibilidade de se utilizarem em situações de emergência, quando não existem tipos de sangue compatível, em casos de incompatibilidades de foro religioso, que impeçam as transfusões de sangue, ou na oxigenação de tecidos e de órgãos em operações e transplantes.
 

 

A aplicação mais directa para o sangue artificial são as emergências provocadas por traumas, onde a vítima necessita imediatamente de uma reposição do volume de sangue, assim como da sua capacidade de transporte de oxigénio.
 

 

Isabel Marracho referiu ainda que os PFC+s apresentam a vantagem de não serem absorvidos pelos tecidos e de mostrarem uma baixa tensão superficial, ao contrário da maioria dos produtos desenvolvidos como substitutos do sangue, que não são ideais para emergências, devido ao seu efeito hipertensivo.
 

 

Estes compostos alternativos, completamente sintéticos e inócuos, destinam-se a ser apenas utilizados em situações pontuais até o próprio organismo começar a fabricar o sangue necessário para o funcionamento normal do corpo, até porque têm um tempo de retenção no organismo de apenas duas semanas. "Ao fim deste tempo, são excretados sob a forma de vapor nos pulmões, ou pela urina", esclareceu a docente.
 

 

Segundo a equipa de investigação, o estudo em desenvolvimento na UA já chamou a atenção de uma empresa interessada em produtos utilizáveis na cirurgia à retina.
 

 

Fonte: Lusa

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