A partir de que idade poderão os médicos impedir a evolução da artrite reumatóide?

Estudo internacional apresentado em Lisboa

15 junho 2003
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«A partir de que idade poderão os médicos alterar o curso da evolução da Artrite Reumatóide?». Este é o tema de um estudo internacional que será apresentado quinta-feira, dia 19 de Junho, às 19h, no Hotel Carlton Palace, em Lisboa.
 

A apresentação irá contar com a presença de um conjunto de especialista nacionais e internacionais como Josef Smolen, Presidente eleito da Liga Europeia Contra as Doenças Reumáticas (EULAR) e Peter Lipsky, Director Científico do Instituto Nacional de Doenças Reumáticas e Musculo-Esqueléticas, EUA.
 

 

Durante a conferência serão analisados pela primeira vez os dados referentes ao estudo ASPIRE o maior estudo internacional de sempre levado a cabo em doentes com artrite reumatóide (AR) ligeira (fase inicial da doença)
 

Este evento está inserido no Congresso Europeu de Reumatologia EULAR 2003, que pela primeira vez na sua história irá realizar-se em Portugal (18 a 21 de Junho Centro de Congressos de Lisboa). Já inscritos estão mais de 8 mil clínicos, investigadores científicos, enfermeiros e associações de doentes e serão apresentados mais de mil trabalhos e posters científicos dedicados a novos desenvolvimentos em aspectos moleculares e celulares da doença reumática, análises à base genética das doenças, entre outros temas.
 

 

De referir que actualmente a AR afecta cerca de 40 mil portugueses e é considerada como uma das principais causas de reforma antecipada no nosso país. Em todo o mundo, mais de cinco milhões de pessoas sofre de AR, uma doença auto-imune crónica que provoca dores, edema e rigidez nas articulações de todo o corpo, em especial dos punhos e pés, levando muitas vezes à destruição das próprias articulações e a deformações nas mãos e nos pés.
 

 

Ao contrário da osteoartrose, a forma mais comum de doença reumática, a AR é uma doença auto-imune com inflamação das articulações. O prognóstico a longo prazo para os doentes com AR é reservado, pelo que muitos doentes enfrentam o aumento da sua incapacidade e mesmo, em reduzido número de casos, a morte prematura.
 

 

De acordo com um estudo realizado por Augusto Faustino, Vice Presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR), em que colectou dados de variados trabalhos portugueses sobre aspectos epidemiológicos relacionados com as doenças reumáticas, as doenças reumáticas são a patologia crónica mais prevalente em Portugal, responsáveis pelo maior número de consultas de Clínica Geral, e são a segunda causa de custos totais em medicamentos (a primeira em consumo de unidades). Representam entre 28 e 37 por cento das patologias crónicas e cerca de 20 por cento das consultas de Clínica Geral.
 

 

Esta patologia é também o principal motivo de dias de baixa no nosso país, representando a primeira causa de incapacidade (temporária e definitiva), e a principal causa de reformas antecipadas. Segundo um estudo da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, 22 por cento dos doentes reumáticos necessitam de baixa, 98 por cento registam algum tipo de incapacidade e 34 por cento passam à reforma por esse motivo.
 

 

Segundo dados recentemente publicados, estima-se que actualmente cerca de 2,7 milhões de portugueses sofram de algum tipo de doenças reumáticas, o que equivale a 38% da população. Por sexos, a doença atinge um milhão e 700 mil mulheres e 970 mil homens, um número muito elevado, se tivermos em conta o que significa em termos de sofrimento e encargo socio-económico.
 

 

MNI-Médicos Na Internet
 

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