A osteoporose não é uma doença exclusiva das mulheres

Homens fumadores correm mais riscos devido à diminuição da densidade óssea

21 fevereiro 2002
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A maioria dos estudos que associam o tabaco à osteoporose relacionam o consumo excessivo de tabaco às mulheres. No entanto, um novo estudo, publicado na edição de Fevereiro do Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, vem revelar que afinal os homens fumadores também correm riscos acrescidos de desenvolverem doenças ósseas como a osteoporose.
 

 

Na investigação, realizada no Institut Nacional de la Santé et de la Recherche Médicale, em França, foram estudados 719 homens, com idades compreendidas entre os 51 e os 85 anos, dos quais 83 tinham iniciado recentemente os seus hábitos de consumo de tabaco, 405 eram já fumadores de longa data e 231 nunca tinham fumado na vida.
 

 

Da análise do consumo de tabaco dos voluntários ao estudo, os investigadores concluíram que a densidade mineral óssea era menor nos homens que fumaram mais maços de tabaco durante a sua vida – mais de 7120 maços – do que nos homens que nunca fumaram e até mesmo do que os fumadores moderados.
 

 

No entanto, até mesmo um maço de cigarros por dia pode ter os efeitos mais adversos para o tecido ósseo. Segundo o resumo disponibilizado online pelo jornal científico que publicou o estudo, os consumidores moderados de tabaco (considerando o consumo moderado até dez cigarros por dia) com baixo peso (menos de 75 Kg) apresentaram níveis elevados de reabsorção óssea que não foram acompanhados pelo aumento da formação de novo tecido ósseo, isto é: não foi acompanhada pelo aumento da remineralização óssea.
 

 

Segundo os autores, coordenados pelo professor Pierre Delmas, terão sido os níveis elevados de reabsorção óssea não acompanhados pelo aumento da taxa de remineralização que conduziram à diminuição da densidade óssea e ao aumento da prevalência de deformações vertebrais verificadas entre os fumadores estudados. Nos não fumadores o mesmo não se verificou: os níveis de reabsorção e de remineralização óssea eram normais para a idade e para o peso dos homens o que se reflectiu em níveis normais, para a idade e peso, de densidade óssea.
 

 

Quando os investigadores agruparam os voluntários de acordo com o peso verificaram que, aparentemente, o tabaco tem mais efeitos nocivos sobre a densidade do tecido ósseo quando o peso é inferior a 75 Kg. Uma explicação possível para este facto poderão ser, segundo os autores, a diminuição dos níveis sanguíneos de vitamina D e um hiperparatiroidismo. O hiperparatiroidismo reflecte-se no aumento da produção de uma hormona relacionada com mecanismos indutores da reabsorção óssea. Por outro lado, a diminuição de vitamina D circulante contribui para o impedimento de processos metabólicos necessários à remineralização óssea.
 

 

De acordo com as estatísticas da Comunidade Europeia, cerca de 200 milhões de mulheres em todo o mundo sofrem de osteoporose, mas destas, menos de 20% recebe tratamento adequado. Só na Europa, em cada 30 segundos uma pessoa sofre uma fractura osteoporótica
 

 

Na Comunidade Europeia, desde 1998 o número de fracturas da anca devidas à osteoporose aumentou 25%, chegando às 480 mil fracturas por ano. Em Portugal, os números relativos ao ano passado indicam a ocorrência de 8500 fracturas da anca, contra 6040 em 1995.
 

 

Este estudo vem mostrar que também os homens correm riscos de desenvolverem esta doença, ainda mais se tiverem hábitos de consumo de tabaco e estes dados reforçam as previsões dovulgados no início deste anos de que o número de doentes, homens e mulheres, irá aumentar entre duas e cinco vezes, em virtude do envelhecimento da população.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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