A mamografia actual é indispensável, mas muito falível

16 por cento dos exames induzem em erro

17 setembro 2002
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Cerca de 16 por cento das mamografias realizadas através de raios X induzem os radiologistas em erro, apontando para a existência de cancro e repercutindo angústia muitas vezes desnecessária nas mulheres que se submetem ao exame.
 

 

Segundo um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Oncologia dos Estados Unidos, os falsos positivos podem ser duas a quatro vezes mais numerosos se os exames forem apreciados por médicos com menor experiência.
 

 

Os investigadores envolvidos na realização do estudo, incluindo Joann Elmore, afirmam que a mamografia não é, de facto, o exame infalível para prevenir o cancro da mama, mas é o melhor que existe hoje.
 

 

Joann Elmore, da escola de Medicina da Universidade de Washington, Seattle, sublinhou que as mulheres devem continuar a submeter-se a este tipo de exame, aconselhando que cada mamografia realizada seja comparada com as anteriores.
 

 

Exames comparativos
 

 

Segundo Elmore, os falsos positivos registam uma quebra de 70 por cento quando os médicos podem comparar o último exame com os anteriores.
 

 

O estudo foi realizado a partir das mamografias efectuadas a 2.169 mulheres por 24 especialistas entre os anos de 1985 e 1993. Dos exames apreciados, 45 identificaram casos confirmados de cancro.
 

 

Método mais preciso
 

 

Uma unidade de investigação portuguesa, o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) anunciou em Julho que está a trabalhar num método mais preciso de diagnóstico do cancro da mama, que poderá acabar com os numerosos falsos alarmes accionados pelas técnicas de diagnóstico actualmente disponíveis.
 

 

O possível método alternativo, a desenvolver nos próximos três anos por grupos de trabalho portugueses, assenta na tomografia por emissão de positrões (PET).
 

 

A nova tecnologia foi desenvolvida no CERN (Laboratório Europeu de Física de Partículas), instituição de que Portugal faz parte, e experimentada em ratinhos de laboratório para a detecção de várias formas de cancro.
 

 

O trabalho em curso no LIP, laboratório associado do Estado, visa melhorar a técnica e sua aplicação ao diagnóstico do cancro da mama.
 

 

Os especialistas vincam que o rastreio por mamografia de raios-X permite uma detecção mais precoce do cancro da mama e, consequentemente, uma redução considerável na mortalidade provocada por uma doença que, em Portugal, tem uma incidência que ronda anualmente os 60 novos casos por 100 mil habitantes.
 

 

No entanto, a técnica tem limitações, sendo uma das principais a questão dos falsos positivos, já que entre 60 a 85 por cento das biópsias realizadas não correspondem a qualquer patologia maligna.
 

 

O trabalho em curso, reunindo físicos, clínicos e investigadores, destina-se ao desenvolvimento de um aparelho de diagnóstico baseado na tomografia por emissão de positrões e exclusivamente dedicado ao cancro da mama.
 

 

O objectivo dos cientistas do LIP é ter, dentro de três anos, um primeiro instrumento que possa ser testado nos hospitais.
 

 

O dispositivo deverá ser mais pequeno, adaptado à morfologia do seio, e necessariamente menos dispendioso que os utilizados presentemente para o corpo inteiro.
 

 

Tudo depende também da organização das ligações industriais que desencadeiem a produção e distribuição do equipamento.
 

 

A mamografia convencional comprime a mama num aparelho que emite um feixe de raios-X que a atravessam. Como o nódulo é mais denso que o tecido normal, a imagem conseguida permite a sua detecção.
 

 

No entanto, o tecido fibroso é também mais denso que o tecido normal, o que faz com que as mamografias dêem azo a resultados falsos positivos.
 

 

A técnica PET consiste na injecção de uma molécula de glucose, munida de um átomo de flúor, na mama. A glucose fixa-se metabolicamente nas células cancerígenas e o átomo de flúor, como é radioactivo, emite partículas (fotões) detectáveis a partir do exterior.
 

 

Desta forma, não só é possível saber da existência de um tumor maligno (se não houver células cancerígenas a glucose dilui- se), como podemos localizar o ponto de emissão dos fotões, que será o ponto exacto do tumor, afirmam os investigadores.
 

 

Fonte: Lusa
 

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