A inflamação na meia-idade poderá estar associada à demência

Estudo publicado na revista “Neurology”

06 novembro 2017
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As pessoas que apresentam biomarcadores associados à inflamação no sangue, durante a meia-idade, poderão apresentar um maior encolhimento do cérebro décadas mais tarde em comparação com quem não apresenta esses biomarcadores.
 
Num estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, EUA, foi apurado que a perda de células cerebrais foi identificada especialmente em áreas do cérebro afetadas pela doença de Alzheimer.
 
Para o estudo, os investigadores recrutaram 1.633 pessoas com uma média de idades de 53 anos, os quais foram submetidos a análises para determinar os níveis de cinco biomarcadores de inflamação no sangue que incluíam os glóbulos brancos. 
 
Muitos anos mais tarde, 24 em média, os participantes efetuaram testes de memorização e foram submetidos a ecografias ao cérebro para medir o volume de várias áreas do mesmo. 
 
A equipa dividiu posteriormente os participantes em três grupos de acordo com o número de níveis elevados de inflamação nos cinco biomarcadores. 
 
Foi observado que os participantes com níveis elevados em três ou mais biomarcadores apresentavam um volume do hipocampo e de outras áreas do cérebro associadas à doença de Alzheimer em média 5% mais baixo do que os indivíduos sem níveis elevados.
 
Keenan Walker, autor do estudo, explicou que o efeito do aumento de um desvio padrão no índice de inflamação em geral durante a meia-idade sobre o volume cerebral décadas mais tarde era semelhante ao efeito associado a ter uma cópia do gene Apolipoproteína E (apoE) que faz aumentar o risco da doença de Alzheimer. 
 
Cada aumento no desvio padrão no índice de inflamação foi associado a um volume do hipocampo 110 milímetros cúbicos inferior e o volume de outras áreas afetadas pela doença de Alzheimer era 532 milímetros cúbicos inferior.
 
Nos testes de memória, os participantes sem marcadores elevados lembravam-se de uma média de 5,5 palavras em cada 10 e os com três ou mais marcadores elevados lembravam-se de cerca de cinco palavras.
 
“Estes resultados sugerem que a inflamação na meia-idade poderá ser um contribuidor precoce para as alterações no cérebro que estão associadas à doença de Alzheimer e a outras formas de demência”, comentou o autor do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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