A importância dos vegetais crucíferos

Estudo publicado na “Nature Immunology”

07 março 2013
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O consumo de vegetais crucíferos é mais importante do que se pensava. Um estudo publicado na “Nature Immunology” dá conta que há uma população de células imunológicas no intestino que pode ser controlada pelos compostos presentes nas folhas verdes dos vegetais.
 

As células imunes, denominadas por células linfoides inatas (ILC), encontram-se no revestimento do sistema digestivo e protegem o organismo das bactérias prejudiciais. Estas células parecem também desempenhar um papel importante no controlo de alergias alimentares, doenças inflamatórias e obesidade, podendo mesmo impedir o desenvolvimento de cancro do intestino.
 

Neste estudo os investigadores do Walter and Eliza Hall Institute, na Austrália, descobriram que o gene T-bet é essencial para a produção desta população específica de células e que este gene responde aos sinais enviados pelos alimentos consumidos.” As ILC são essenciais para que o sistema imune proteja o sistema digestivo. Esta foi a primeira vez que foi identificado um gene responsável pela produção das ILC”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Gabrielle Belz.
 

A investigadora explicou que as proteínas encontradas nos vegetais de folhas verdes ou crucíferos são conhecidas por interagir com os recetores encontrados na superfície das células que controlam o gene T-bet, podendo assim ter um papel importante na produção das ILC. As proteínas presentes nas folhas dos vegetais crucíferos podem fazer parte da mesma via de sinalização utilizada pelo gene para produzir as ILC. A investigadora acrescenta que estão agora interessados em analisar a forma como os produtos destes vegetais são capazes de comunicar com o gene T-bet para a produção de T-bet. Na opinião de Gabrielle Belz este tipo de estudo poderá fornecer mais informação sobre o modo como os alimentos que ingerimos influenciam o sistema imunológico e as bactérias presentes no intestino.
 

O estudo refere ainda que as ILC são essenciais para a manutenção delicada do equilíbrio entre tolerância, imunidade e inflamação. Estas células produzem uma proteína que é capaz de proteger o organismo das bactérias invasoras. Os investigadores constataram que na ausência do gene T-bet, o organismo tornava-se mais suscetível às infeções bacterianas. Isto sugere que o aumento das ILC no intestino poderá ajudar no tratamento deste tipo de infeções bacterianas.
 

Os autores do estudo referem que as ILC ajudam a manter um ambiente saudável no intestino através da promoção das bactérias saudáveis e na cura de pequenas feridas e abrasões, comuns ao tecido do intestino. Na opinião dos autores, estas células poderão também ser importantes no tratamento das lesões cancerosas.
 

“A descoberta destas células abre uma porta completamente nova no que diz respeito à forma como vemos a biologia do intestino. Estamos só agora a começar a compreender a forma como estas células regulam a alergia e inflamação e as suas implicações no cancro do intestino e noutros distúrbios gastrointestinais, como a doença de Crohn", conclui Gabrielle Belz.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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