A importância da qualidade do sono na gravidez

Estudo publicado na revista “Psychosomatic Medicine”

23 julho 2013
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Uma má qualidade e quantidade de sono durante a gravidez pode afetar o normal funcionamento do sistema imunológico e conduzir a um baixo peso à nascença e outras complicações, sugere um estudo publicado na revista “Psychosomatic Medicine”.
 

Um sono adequado e de elevada qualidade, tantos nas mulheres grávidas como nas não grávidas e nos homens, é essencial para a saúde do sistema imunitário. A gravidez é muitas vezes acompanhada por alterações nos padrões de sono, incluindo sono reduzido, sintomas de insónia e má qualidade de sono. Estes distúrbios podem exacerbar a resposta inflamatória do organismo e causar um excesso de moléculas envolvidas na comunicação das células do sistema imunitário, as citoquinas.
 

Apesar de estas proteínas serem importantes em vários processos associados à gravidez, a sua concentração elevada pode atacar e destruir as células saudáveis, causar a destruição de tecidos nas mulheres grávidas e consequentemente impedir a capacidade de combater as doenças. Nas grávidas, um excesso de citoquinas pode também afetar as artérias espinhais, causar doenças vasculares, depressão e partos pré-termo.
 

Estudos anteriores demonstraram que havia uma elevada concentração de citoquinas nas mulheres com problemas na gravidez como pré-eclampsia e parto pré-termo. Enquanto as infeções são responsáveis por cerca de metade destes eventos, foi descoberto que os problemas de sono poderiam também desempenhar um papel importante, tendo em conta a relação entre o distúrbio de sono e a função imune.
 

Este estudo, levado a cabo pelos investigadores da Escola de Medicina de Pitt, nos EUA, foi o primeiro a avaliar todos os fatores, incluindo citoquinas inflamatórias, depressão e insónia, e o seu efeito combinado nas mulheres grávidas. Os investigadores contaram com a participação de 170 mulheres deprimidas ou não, que se encontram na vigésima semana de gravidez. Foram analisados os padrões de sono, bem como o nível de produção de citoquinas ao longo de 10 semanas.
 

O estudo apurou que as mulheres com depressão e com má qualidade de sono apresentavam um risco aumentado de eventos adversos associados à gravidez. O nível de citoquinas pode ser um via biológica através da qual estes eventos ocorram. Alterações na imunidade, como má qualidade de sono e ou depressão, também podem contribuir para este risco.
 

Os investigadores observaram que às 20 semanas de gravidez, as mulheres deprimidas apresentavam níveis mais elevados de citoquinas inflamatórias, comparativamente com aquelas que não estavam deprimidas.
 

“Os nossos resultados chamam a atenção para a importância da identificação dos problemas de sono na gravidez, especialmente nas mulheres deprimidas, uma vez que o sono é um fator modificável. Quanto mais cedo este tipo de problemas for identificado, mais cedo os médicos podem trabalhar com as mulheres grávidas, de forma a serem implementadas soluções”, conclui o líder do estudo, Michele Okun.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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