A História das alergias

Problemas aumentaram no século XX

29 janeiro 2002
  |  Partilhar:

A primeira descrição de uma reacção alérgica de que há registo atira-nos para o ano 2641 antes de Cristo. Um faraó do antigo Egipto descobriu da pior forma que era alérgico a picadas de insectos. Teve um choque anafilático fatal após ter sido picado por uma vespa. No século II antes de Cristo, Arataeus descrevia uma reacção que é hoje conhecida como asma induzida pelo exercício. A asma propriamente dita só seria conhecida muitos anos depois, no século XII da nossa era, quando foi descrita por Maimonides.
 

 

Apesar de conhecidas, as doenças alérgicas eram praticamente inexistentes há 200 anos. E só começaram a aumentar extraordinariamente no mundo ocidental já o século XX ia adiantado. Mas as análises comparativas de diversos países, separados entre si por grandes diferenças genéticas e na monitorização da saúde, continuavam inconclusivas.
 

 

Até que a oportunidade para um melhor conhecimento do problema surgiu, em 1989, quando o muro de Berlim caiu, unificando dois povos idênticos numa única Alemanha. E chegou-se a uma conclusão inesperada: as doenças alérgicas são doenças da civilização.
 

 

Duas realidades
 

 

As duas alemanhas tinham vivido os últimos 50 anos de formas completamente diferentes. A Ocidente, a vida foi ficando asséptica, limpa, corrigindo-se as infecções muito prematuramente e promovendo uma assistência e uma higiene infantil muito eficazes, aliadas auma alimentação cuidada.
 

 

A Leste, a capacidade de resposta sanitária era muito menor e o ambiente era marcado por cidades poluídas pela predominância de indústrias pesadas.
 

 

Ao contrário do que se esperava, a incidência da doença alérgica era muito superior a Ocidente. "A falta de cuidado e o ambiente agressivo a Leste tinham desviado o sistema imunológico das pessoas no sentido da protecção das alergias", explicou ao JN o imunoalergologista Ferraz de Oliveira.
 

 

As células do sistema imunológico estavam direccionadas para o combate ao ambiente agressivo, enquanto a Ocidente a sua evolução tinha-se canalizado para outro perfil, favorecendo a doença alérgica. Passados alguns anos sobre a reunificação alemã, verificou-se que o Leste estava a recuperar o "atraso" e situava-se praticamente no nível da ex-Alemanha ocidental no que diz respeito à alergia.
 

 

Ver mais em: Jornal de Notícias
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.