A fusão entre a realidade e a realidade virtual é o maior risco da caça aos Pokémons

Alerta do Instituto de Apoio ao Jogador

22 julho 2016
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Um dos riscos do jogo Pokémon Go, que está a fascinar milhares de pessoas em todo o mundo, é a possibilidade de os jogadores confundirem a realidade com a realidade virtual, defendeu um especialista em dependências.

 

Pedro Hubert, psicólogo e coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador (IAJ), disse à agência Lusa que há ainda muito a estudar sobre este jogo, que está a juntar adeptos em todo o mundo e já causou alguns incidentes.

 

Trata-se de uma aplicação para o jogador procurar pokémons, um boneco virtual, numa busca que, nomeadamente, chegou a provocar acidentes de trânsito.

 

Para este técnico de aconselhamento em adições, em particular na área do jogo patológico, este jogo ainda é muito recente, mas, para já, veio romper com uma tradição muito importante dos videojogos, que é o isolamento do jogador.

 

“Tradicionalmente, os jogadores estão isolados frente ao ecrã, seja da televisão, do computador ou do telemóvel. Este jogo rompe com esse isolamento e as suas consequentes características negativas”, afirmou.

 

Algumas das características da dependência dos videojogos poderão manter-se, no caso de o jogador ficar dependente deste jogo – a tendência para a depressão, a ansiedade, a perda de competências sociais –, mas o isolamento é rompido.

 

“Os jogadores têm de ir para a rua [caçar bonecos virtuais pokémon], o que é bom”, adiantou, sublinhando que existem outros perigos, como os acidentes.

 

A PSP lançou mesmo um manual que ensina os jogadores a caçar os pokémons em segurança e lembra que ainda se vive ”no mundo real”. Num alerta, a PSP referiu que, “como consequência desta animada febre, já ocorreram alguns incidentes, lesões graves e até alguns crimes foram cometidos, onde os suspeitos engenhosamente simulavam falsos pokestops, para se introduzirem em residências”.

 

Entre os conselhos, a PSP recomenda para que o jogador “esteja sempre atento ao que o rodeia”, “observe o meio envolvente” e que “não cace sozinho”, mas “em grupo ou aos pares, de forma a aumentar a segurança”.

 

“Não utilizar a aplicação enquanto conduz”, “não entrar em propriedade alheia ou áreas de acesso restrito”, o que constitui um crime, e ter “especial atenção a aplicações relacionadas com o jogo”, que “podem conter malware e comprometer a segurança de dados pessoais” são outros conselhos da PSP.

 

Para Pedro Hubert, o maior perigo deste tipo de jogos é o jogador “fundir ainda mais a realidade com a realidade virtual”. E recomenda uma especial atenção para os sinais de dependência do jogo que, tal como em outros videojogos, passa pela perda de controlo, levando o jogador a estar muitas horas a jogar, a troca de prioridades e a perda de outros interesses e a síndrome de abstinência, igual à de outras dependências.

 

“Isto é qualquer coisa de novo e revolucionário em relação aos videojogos”, disse, considerando que não deverão ser os jogadores patológicos clássicos a aderir ao mesmo, pois esses procuram essencialmente o isolamento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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