A felicidade está ao alcance de todos

Mas requer alguns pré-requisitos

09 janeiro 2002
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Ter uma rede de convívio social extensa é um factor-chave para alcançar a felicidade. No entanto, este factor, por si só, não garante uma vida plena de felicidade. Esta ideia é avançada por dois psicólogos americanos: Martin Seligman da University of Pennsylvania e Ed Diener da Illinois University, que se dedicaram ao estudo dos factores associados ao sentimento de felicidade.
 

 

Num artigo publicado na revista científica Psychological Science, estes investigadores afirmam que «as relações sociais constituem uma condição necessária, porém não suficiente, para se atingir o estado de felicidade.»
 

 

A amostra que serviu de base à investigação realizada por Seligman e Diener era constituída por 222 estudantes universitários, que foram classificados em três grupos: os que se consideravam felizes a maior parte do tempo, os que eram infelizes a maior parte do tempo e aqueles cujo humor se enquadrava num nível intermédio. O estudo prolongou-se por um semestre lectivo, durante o qual os voluntários relataram diariamente o seu estado de humor, assim como os factores que o poderiam influenciar, como a realização de actividades físicas e culturais, frequência de eventos sociais, etc.
 

 

Para ser feliz basta... não estar só?
 

 

Na escala de satisfação com a vida, os alunos mais felizes tiveram a pontuação mais alta e foram poucos os que, deste grupo, colocaram alguma vez terem posto a hipótese de cometer suicídio. Os participantes deste grupo afirmaram ter um humor positivo todos os dias e raramente estavam sozinhos ao longo do dia, passando a maior parte do tempo na companhia de outros colegas.
 

 

Os investigadores constataram que, aparentemente, as relações sociais são uma condição necessária para atingir o estado de felicidade – todos os membros do grupo das pessoas mais felizes afirmaram ter um grande número de amigos. No entanto, Seligman e Diener também verificaram que as redes de contactos sociais não garantem a felicidade já que algumas pessoas do grupo dos infelizes também relataram que a sua rede de contactos sociais também satisfatória.
 

 

Assim, uma rede de convívio social satisfatório, embora necessária, não é suficiente para manter a felicidade – concluem no relato científico do seu trabalho.
 

 

A tristeza, sentimento oposto à felicidade, também não é exclusiva das pessoas tristes – os alunos felizes também confessaram que têm momentos de extrema infelicidade, assim como os tristes têm reconheceram que têm momentos de intensa felicidade. Talvez a diferença entre estes dois grupos resida no tempo de manifestação destes dois estados de espírito.
 

 

E quais são os factores associados à felicidade?
 

 

Riqueza, beleza, praticar o culto de uma religião ou fazer exercício físico com regularidade são factores apontados por estudos anteriores a este como estando directamente associados ao estado de felicidade. No entanto, neste trabalho, os dois psicólogos verificaram que estas qualidades não diferiam entre o grupo dos alunos felizes e os de humor intermédio. Seligman e Diener identificaram outros factores que, aparentemente, estão fortemente associados à felicidade: são eles a extroversão, baixa incidência de neuroses e de psicopatologias.
 

 

Os autores defendem, no artigo publicado este mês, que não existe um elemento-chave único e «totipotente» para atingir a felicidade. Pelo contrário, a felicidade parece estar estritamente ligada a «pré-requisitos mínimos» para que possa iluminar as nossas vidas.
 

 

Comentando a publicação deste estudo, Mihaly Csikszentmihalyi, psicólogo e professor na Claremont University (Califórnia), afirmou à agência Reuters que «embora este estudo não avance nada de novo e absolutamente surpreendente, ele abre caminho para novas investigações no vasto domínio da compreensão da felicidade». Este investigador, que também já colaborou em outros estudos coordenados por Seligman, acredita que os estudos neste domínio poderão fazer diferença no futuro».
 

 

Seligman e Diener alertam para uma «desvantagem» do estado permanente de felicidade: as pessoas que se afirmam extremamente felizes não conseguem reagir «de cabeça fria» quando se deparam com situações difíceis porque, aparentemente, elas pensam que o pior nunca acontece e, por isso, raramente estão preparadas para enfrentarem o pior.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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