A esquizofrenia: novas perspectivas

Dois novos estudos tentam desvendar as causas desta doença

10 abril 2001
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A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica complexa cujas causas são muito difíceis de apontar. No entanto, os cientistas têm tentado descobrir como se desenvolve esta patologia e dois novos estudos, publicados na edição de 10 de Abril da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, dos EUA, parecem dar algumas pistas relativamente a mecanismos fundamentais que poderão estar por trás da doença.
 

 

É aceite pela comunidade científica que a esquizofrenia é uma perturbação com origem na interacção de factores genéticos, de desenvolvimento e ambientais e, portanto, é uma condição de etiologia complexa.
 

 

Esta doença afecta cerca de 1% da população mundial e os sintomas normalmente aparecem numa época crucial: o final da adolescência/início do estado adulto. A percepção da realidade, os pensamentos e as sensações ficam profundamente alteradas.
 

 

Num dos estudos, os investigadores analisaram o líquido cerebroespinal de esquizofrénicos e de pessoas sem indícios de perturbações psíquicas ou com outras perturbações que não a esquizofrenia.
 

 

10 dos 35 esquizofrénicos apresentavam sinais de actividade de retrovirus que normalmente se encontram dormentes no organismo. Estes retrovirus, da familia dos retrovirus endogenos humanos-W (REH-W), ao contrário do HIV (que é também um retrovirus), inseriram-se e fazem parte do genoma humano, embora de uma forma inactiva, há já milhões de anos.
 

 

Esta descoberta vem questionar a ideia de que estes retrovirus inseridos no genoma são “lixo” e não servem para nada. Os autores admitem, porém, que este estudo não demonstra que os retrovirus são os causadores da doença, já que a sua activação pode ser causa ou consequência da mesma. É também certo que nem todos os pacientes com esquizofrenia tinham esses retrovirus activados, o que indica que este mecanismo pode ser somente importante em alguns tipos de esquizofrenia.
 

 

Num segundo estudo, cientistas norte-americanos descobriram que os esquizofrénicos têm baixa actividade em 5 genes que ajudam a produzir a mielina, uma camada protectora das fibras nervosas. Este estudo sugere que a esquizofrenia está relacionada com o desenvolvimento das fibras nervosas na passagem da adolescência para o estado adulto. Estas ideias são consistentes com o facto de se saber que é neste período que se dá, normalmente, a formação de mielina no córtex pré-frontal.
 

 

Nenhum destes estudos mostra a causa primordial da doença mas nenhum tem a pretensão de o fazer, uma vez que parece que há uma série de causas interligadas. É certo que os cérebros de indivíduos com a patologia têm um número de anormalidades mas se estas são causas da doença, consequências da mesma ou o resultado da actividade cerebral para tentar restabelecer uma actividade normal é pouco claro, dizem os especialistas.
 

 

Adaptado por
 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters e New Scientist

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