A enxaqueca com aura estará mesmo associada a maior risco de AVC?

Estudo publicado na revista “Headache”

29 janeiro 2019
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A análise de um estudo recente sugere que afinal a enxaqueca com aura despoletada antes dos 50 anos de idade poderá não causar um maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) isquémico.
 
Os resultados, considerados inesperados, foram apurados após uma análise “post-hoc” no âmbito de um estudo conhecido como Atherosclerosis Risk in Communities (Risco de Aterosclerose nas Comunidades), conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade da Carolina do Sul, EUA.
 
Para o estudo, os investigadores contaram com uma coorte de 11.592 participantes (homens e mulheres idosos com historial de enxaquecas), que incluía 447 pacientes com enxaqueca com aura e 1.128 pacientes com enxaqueca sem aura.
 
No âmbito do estudo, foi efetuada uma consulta com os participantes entre 1993 e 1995 para apurar o historial de enxaqueca, seguido pela monitorização da incidência de AVC isquémico.
 
Ao longo dos 20 anos seguintes registou-se duas vezes mais AVC isquémicos nos participantes cujo desencadeamento de enxaqueca com aura tinha sido despoletado aos 50 anos ou mais de idade, em comparação com os participantes com enxaqueca sem aura. 
 
Foi observado que nos participantes idosos com enxaqueca com aura, o risco absoluto de AVC foi de 8,27%, ou seja, 37 em 447 indivíduos; A incidência de AVC nos idosos com enxaqueca sem aura foi de 4,25%, ou seja, 48 em 1.128 participantes.
 
A enxaqueca com aura despoletada antes dos 50 anos de idade não foi associada a AVC isquémico. O mesmo se observou relativamente à enxaqueca sem aura, independentemente da idade em que a mesma tinha sido despoletada. 
 
“Os efeitos cumulativos da enxaqueca, isoladamente – início da enxaqueca antes dos 50 anos de idade – não aumentou o risco de AVC num período posterior da vida nesta coorte do estudo. Pelo contrário, o início recente da enxaqueca aos 50 anos de idade ou após foi associado a um maior risco de AVC num período posterior da vida”, confirmou Michelle Androulakis, investigadora que liderou o estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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