A discriminação do doente mental

A ignorância e o preconceito

12 abril 2013
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A ignorância e o preconceito da sociedade sobre a doença mental levam frequentemente os familiares a “negar a possibilidade” da existência da doença em alguém que lhe é próximo, de acordo com o psiquiatra Afonso de Albuquerque.
 

“A discriminação do doente mental existe desde sempre”, tem é “tomado várias formas ao longo dos séculos”, disse à agência Lusa o psiquiatra e autor do livro “A discriminação do doente mental no Ocidente”.
 

O psiquiatra refere no livro que, perante os primeiros sinais de doença, com frequência na adolescência ou no adulto jovem, os familiares começam, em regra, por não lhes atribuir o significado real e a confundi-los com reações a situações do stress e do dia-a-dia ou a algum problema.
 

Afonso de Albuquerque revela que quando os sintomas se mantêm ou se agravam, é frequente serem vistos como “mau comportamento” que necessita de ser criticado ou punido, a não ser que tenham conhecimento de casos diagnosticados na família.
 

Contudo, “o público em geral continua relativamente ignorante sobre a doença mental e tem preconceitos que frequentemente levam os familiares a negar a possibilidade da sua existência em alguém que lhe é próximo”.
 

Para o psiquiatra, este “clima de silêncio, de crítica ou de negação familiar não facilita ao doente a partilha com a família das suas angústias, perturbações ou ideias auto e heterodestrutivas que porventura o façam sofrer”.
 

Afonso de Albuquerque refere que raramente observou um jovem a sofrer de doença mental grave que não tivesse sido inicialmente considerado pela família como “drogado”.
 

“Estas convicções familiares erradas (drogado, mau feito, preguiçoso)” levam ao adiamento do diagnóstico e do tratamento adequado da doença, alerta.
 

A doença mental também teve sempre “pesadas consequências” relativamente à habitação e à vizinhança dos doentes.
 

O psiquiatra disse à agência Lusa estar convicto de que “esta discriminação vai continuar, mas há possibilidades de fazer alguma coisa”.
 

”A população sabe que isto está a acontecer, nomeadamente os familiares e amigos de doentes que sofrem também na pele esta situação”, sublinha.

 

Lamenta ainda o impacto das notícias a relatar atos de violência atribuídos à doença mental. “Os estudos mostram que o interveniente principal nesta discriminação, nesta má imagem e de certa rejeição do doente mental é a comunicação social, que de uma maneira geral quando se refere ao doente mental fá-lo de uma forma negativa, porque matou alguém ou aconteceu algum escândalo”, acrescentou o psiquiatra.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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