A descoberta do Kenyanthropus platyops

Hominídeo com 3,5 milhões de anos revoluciona teorias sobre a origem da espécie humana

22 março 2001
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O artigo publicado na edição de quarta-feira da revista”Nature” veio revolucionar as teorias acerca da evolução humana. Os autores desta importante peça para a filogenia humana reclamam a descoberta de um segundo género na árvore genealógica da espécie humana.
 

 

Até agora os cientistas pensavam que a espécie humana actual Homo sapiens sapiens provinha da evolução directa de uma série de hominídeos que tinha um único antepassado comum: o Australopithecus afarensis, identificado em 1974 com a descoberta do esqueleto “Lucy” na Etiópia.
 

 

A descoberta, no Quénia, de um crânio completo (embora distorcido), além de um osso temporal, parte de dois ossos maxilares e de dentes isolados datados como tendo cerca de 3.5 milhões de anos, obriga a que todos os especialistas reformulem as teorias sobre a origem do Homem.
 

 

A equipa de paleontólogos liderada pela mãe e filha Meave e Louise Leakey, afirmam que as ossadas encontradas no Quénia diferem totalmente do Australopithecus (embora datem da mesma altura), já que apresentam uma combinação de características faciais e neuro-cranianas únicas. O crânio revela uma face muito plana e dentes molares bastante mais pequenos e peculiares, que deverão reflectir uma dieta à base de vegetais, frutas e pequenos pássaros ou mamíferos.
 

 

Segundo os mesmos autores, este hominídeo não só representa uma nova espécie mas também um novo género, pelo que o baptizaram com o nome de Kenyanthropus platyops (do grego platus que significa plano e opsis que significa face).
 

 

Leakey afirma que a descoberta deste hominídeo não vem simplificar a árvore genealógica da espécie humana, mas sim levantar inúmeras novas questões acerca da origem da nossa espécie.
 

 

Este achado traduz-se na impossibilidade de actualmente, se poder afirmar qual dos dois ancestrais Kenyanthropus platyops ou Australopithecus afarensis é o veradeiro antecessor do Homem actual.
 

 

Mas, no local onde foi encontrado o crânio completo, obtiveram-se ainda outros fragmentos ósseos (num total de aproximadamente 30) que ainda se encontram em estudo e que poderão representar outras novas espécies de hominídeos.
 

 

Isto torna a clarificação da evolução humana num puzzle cada vez mais complexo, em que novas peças poderão surgir a cada momento.
 

 

 

Fontes: Nature e Yahoo
 

 

Adaptado por:
 

David Ferreira
 

MNI - Médicos na Internet

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