A depressão na pré-menopausa e os níveis elevados de uma proteína

Estudo publicado no “JAMA Psychiatry”

11 junho 2014
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A elevada taxa de depressão associada às mulheres na pré-menopausa pode ser explicada pela presença de níveis elevados de uma proteína no cérebro, sugere um estudo publicado no “JAMA Psychiatry.

 

“Esta é a primeira vez que é identificada uma alteração biológica no cérebro ao longo da pré-menopausa que também está associada à depressão clínica”, revelou em comunicado de imprensa a líder do estudo, Jeffrey Meyer.

 

Um dos sintomas comuns durante a pré-menopausa é a alteração de humor. A taxa de depressão nestas mulheres encontra-se entre os 16 e os 17%, sendo que um número semelhante de mulheres experiencia sintomas depressivos.

 

A mesma equipa de investigadores já tinha apurado, em estudos anteriores, que elevados níveis de proteína MAO-A estavam associados à doença depressiva major, à depressão associada à dependência do álcool e cessação tabágica, e no período após o nascimento de um filho. A MAO-A é uma enzima que está envolvida na decomposição de substâncias químicas cerebrais, como a serotonina, norepinefrina e a dopamina, as quais ajudam na manutenção do humor.

 

Agora neste estudo, os investigadores do Centro da Dependência e Saúde Mental, no Canadá, decidiram investigar se os níveis elevados desta proteína poderiam explicar as alterações de humor sentidas na pré-menopausa, tendo para tal realizado uma tomografia por emissão de positrões (PET, sigla em inglês) a três grupos de mulheres. Entre as participantes, 19 estavam em idade reprodutiva, 27 na pré-menopausa e 12 na menopausa.

 

O estudo apurou que, comparativamente às mulheres em idade reprodutiva, os níveis de MAO-A estavam, em média, 34 e 12% % mais elevados nas mulheres na pré-menopausa e menopausa, respetivamente. 

 

As mulheres na pré-menopausa apresentavam também uma maior tendência para chorar. Este facto foi associado a níveis mais elevados de MAO-A na parte frontal do cérebro, o córtex pré-frontal. Tal como previsto, os níveis da proteína diminuíram ao longo da menopausa, uma vez que os níveis de estrogénio estabilizaram.

 

De acordo com a investigadora, estes resultados sugerem novas oportunidades de prevenção. “Através da PET, poderemos testar novos tratamentos e verificar se estes podem impedir o aumento da MAO-A e potencialmente impedir a depressão”, conclui Jeffrey Meyer.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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