A carne vermelha e o cancro: o papel de uma molécula de açúcar

Estudo publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences”

02 janeiro 2015
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Uma molécula de açúcar poderá ser a razão pela qual o consumo de carne vermelha faz aumentar o risco de cancro nos humanos, mas não noutros mamíferos.
 
A procura da resposta para este fenómeno levou uma equipa de investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Califórnia-San Diego, nos EUA, a estudar a razão pela qual os humanos que consomem grandes quantidades de carne vermelha apresentam um maior risco para certos tipos de cancro do que aqueles que consomem outros tipos de carne. 
 
A equipa liderada por Ajit Varki, docente de Medicina e de Medicina Celular e Molecular naquela universidade, procedeu, numa primeira fase, ao estudo de alimentos comuns e descobriu que as carnes vermelhas (vaca, porco, cabrito) são ricas no açúcar Neu5Gc, e que são a fonte principal do mesmo na dieta humana. Já se sabia que este açúcar pode ser absorvido pelos tecidos humanos.
 
Os investigadores colocaram a hipótese de o consumo de carne vermelha poder induzir a inflamação causadora de tumores se o organismo estiver constantemente a produzir anticorpos contra aquele açúcar que é estranho ao organismo.
 
Foi desenvolvido um modelo de ratinhos que possuíam deficiência deste açúcar, aos quais foi introduzida a molécula Neu5Gc. Como resultado, os roedores desenvolveram inflamação sistémica associada a um aumento de cinco vezes da formação espontânea de tumores. 
 
Os investigadores não expuseram os ratinhos a elementos carcinogénicos, bem como não tentaram induzir-lhes cancro artificialmente. Deste modo, acreditam que o açúcar Neu5Gc estará fortemente associado a um maior risco de cancro.
 
“Até agora todos os indícios que associavam a Neu5Gc ao cancro eram circunstanciais ou indiretamente previsíveis através de ensaios artificiais. Esta foi a primeira vez em que demonstrámos diretamente que a imitação da mesma situação em humanos – a alimentação de não humanos com Neu5Gc e a indução de anticorpos contra a Neu5Gc – faz aumentar o cancro espontâneo em ratinhos”, avançou o autor principal do estudo.
 
No entanto, Ajit Varki considera que será muito mais difícil demonstrar a teoria da equipa em humanos. 
 
Este estudo poderá também levar ao estabelecimento de uma potencial ligação entre o consumo de carne vermelha e do agravamento de outras doenças através de inflamação crónica, como a diabetes de tipo B e a aterosclerose. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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