A atenção pode por vezes ser um problema

Estudo publicado no jornal científico “Neuron”

02 abril 2015
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Durante tarefas que requerem a nossa atenção, ficamos, por vezes, tão embrenhados naquilo que estamos a fazer que não somos capazes de nos apercebermos de que poderá haver uma melhor maneira de realizar a mesma tarefa. 
 
Uma equipa multinacional de cientistas procurou perceber de que forma é que o nosso cérebro muda de uma estratégia para outra que poderá ser ainda melhor. 
 
Cientistas da Universidade de Princeton (EUA), Universidade Humboldt e Centro Bernstein de Neurociência Computacional de Berlim (Alemanha) e da Universidade de Milan-Bicocca (Itália) descobriram que a atividade do córtex medial pré-frontal está envolvida na monitorização daquilo que ocorre fora do foco de atenção do indivíduo e na alteração do foco de uma estratégia bem-sucedida para uma ainda melhor.
 
Para a investigação, os cientistas contaram com a participação de voluntários que tiveram de jogar um jogo enquanto a sua atividade cerebral era registada através de ressonância magnética. 
 
Os voluntários tinham de carregar num de dois botões de acordo com a localização dos quadrados coloridos num ecrã. Contudo, o jogo obedecia a um padrão que tinha sido ocultado dos voluntários: se os quadrados fossem verdes apareciam num lado do ecrã e se fossem vermelhos apareciam noutro. Caso conseguissem detetar este padrão, ou seja, atentar na cor dos quadrados em vez da localização dos mesmos, os jogadores conseguiriam obter melhores resultados.
 
Os jogadores que detetaram esta estratégia mais eficaz revelaram sinais específicos no córtex medial pré-frontal que correspondiam à deteção da importância da cor dos quadrados. Estes sinais surgiam minutos antes de os participantes mudarem de estratégia. Aliás, este sinal foi tão fiável que os investigadores conseguiram usá-lo para prever mudanças espontâneas de estratégia.
 
De acordo com os investigadores, estes achados são importantes para melhor se compreender o papel do córtex medial pré-frontal no processo que conduz à mudança de comportamento, assim como para a compreensão do papel desta região do cérebro em termos de cognição humana em geral. 
 
“Os nossos achados sugerem que o córtex medial pré-frontal encontra-se a ‘simular’ uma estratégia alternativa em fundo, enquanto o comportamento patente se encontra ainda moldado pela estratégia anterior”, afirma Carlo Reverberi, um dos autores do estudo.
 
A novidade desta investigação, segundo Reverberi, consiste no facto de terem explorado “o que acontece quando as pessoas mudam para uma nova forma de fazer as coisas, tendo por base a informação disponível à sua volta”, ao contrário do que acontecia noutros estudos, em que o foco estava na mudança de estratégia quando se errava ou quando esta não funcionava. Desta forma, o estudo levado a cabo centra-se na interação entre a aprendizagem e a atenção.
 
Segundo os autores, este estudo é relevante para melhor se compreender de que forma o cérebro equilibra a necessidade de manter a atenção com a necessidade de incorporar nova informação acerca do ambiente, o que poderá ajudar a compreender desordens relacionadas com défice de atenção.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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