A ansiedade no desempenho: como ultrapassá-la

Estudo publicado na revista “Journal of Experimental Psychology: General”

02 janeiro 2014
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Dizermos em voz alta a nós próprios um simples “estou entusiasmado” parece promover o aumento do rendimento académico, atesta um estudo conduzido pela Harvard Business School, EUA.
 
Segundo Alison Wood Brooks da Harvard Business School, a ansiedade derivada do desempenho parece ser melhor ultrapassada se nos convencermos de que estamos entusiasmados em vez de tentarmos acalmar-nos. 
 
A psicóloga conduziu uma série de projetos de pesquisa destinados a analisar situações de desempenho que induzem a um certo medo, como discursar em público, cantar ou resolver problemas de matemática em pouco tempo.
 
Para os estudos a investigadora contou com a participação de estudantes universitários que foram distribuídos por vários grupos de estudo: um grupo de 113 alunos que tiveram que cantar uma canção de karaoke; um grupo de 140 alunos aos quais foi pedido um discurso de carácter persuasivo sobre o facto de serem um bom parceiro de trabalho, para o qual tiveram dois minutos de preparação; um grupo de 188 alunos que tiveram que completar uma tarefa de matemática difícil sob pressão em termos de tempo.
 
Os estudantes do grupo de karaoke tiveram que pronunciar, aleatoriamente, um dos seguintes sentimentos: ansioso, entusiasmado, calmo, zangado ou triste. Os alunos do grupo de controlo não tiveram que dizer nada.
 
Como resultado, os alunos que pronunciaram estar “entusiasmados” conseguiram uma média de 80% para tom, ritmo e volume; este grupo declarou sentir-se mais confiante também. Os que disseram estar “calmos”, “zangados” ou “tristes” obtiveram 69% de média para os mesmos componentes, tendo sido esta de 53% para quem declarou estar “ansioso”.
 
Os participantes do grupo 2, antes de fazerem o seu discurso, tiveram que dizer “estou entusiasmado” ou “estou calmo”. Aqueles que pronunciaram a primeira opção revelaram-se mais persuasivos, relaxados, competentes, tendo produzido discursos mais longos.
 
Finalmente, os participantes do grupo que se dedicaram à tarefa de matemática leram aleatoriamente uma das seguintes instruções antes de passarem à resolução do problema: “tenta entusiasmar-te” ou “tentar acalmar-te”. O grupo de controlo não teve qualquer instrução para ler. Como resultado, os participantes do grupo “tenta entusiasmar-te” tiveram resultados superiores em 8% em relação ao grupo “tenta acalmar-te”.
 
Alison Wood Brooks explica estes resultados da seguinte forma: o medo do desempenho é um estado de alerta que está mais próximo do estado de entusiasmo do que o de calma. “Sendo que a ansiedade e o entusiasmo são estados emocionais caracterizados por uma enorme agitação, talvez seja mais fácil encarar a ansiedade como sendo entusiasmo em vez de nos tentarmos acalmar para lutar contra a ansiedade derivada do desempenho”, afirma a psicóloga.
 
Quando nos sentimos ansiosos debruçamo-nos demasiado em potenciais ameaças. "Nessas circunstâncias, as pessoas deviam concentrar-se nas potenciais oportunidades. Vale realmente a pena sermos otimistas e as pessoas deviam dizer a si mesmas que estão entusiasmadas”, continua. “Mesmo que não acreditem nisso à primeira, o facto de dizerem ‘estou entusiasmado’ faz aumentar verdadeiros sentimentos de entusiasmo”, conclui a investigadora.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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