A amamentação e a ascensão social

Estudo publicado na “Archives of Disease in Childhood”

27 junho 2013
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São largamente sabidos os inúmeros benefícios que a amamentação comporta para a saúde. Ao que parece, para além de favorecer a saúde, esta prática parece também ajudar a promover a ascensão social da criança, atesta um estudo conduzido pela University College London, Reino Unido.
 

A autora do estudo, Amanda Sacker, investigadora naquela universidade, defende que “a amamentação traz benefícios que perduram a vida inteira”, acrescentando que esta prática ”não só oferece à criança um bom começo de vida, mas também potencia as hipóteses de uma idade adulta saudável e com sucesso. Para a maioria das mulheres, a amamentação é uma forma de poderem melhorar as hipóteses dos seus filhos vencerem na vida”.
 

Amanda Sacker e a equipa que se dedicou a este estudo basearam-se em dados retirados de uma série de estudos intitulados “British Cohort Studies”, estabelecendo comparações entre dois grupos de crianças: um grupo de 17mil bebés nascidos em 1958 e o outro com 16 mil bebés nascidos em 1970. Foi determinado que 68% dos bebés nascidos em 1958 tinham sido amamentados, percentagem que apenas atingia os 36% para os bebés nascidos em 1970.
 

As crianças foram igualmente agrupadas em três categorias: crianças que nunca tinham sido amamentadas, amamentadas por um período inferior a quatro semanas e amamentadas por um período de pelo menos quatro semanas. Todas as crianças foram acompanhadas durante a idade adulta e submetidas, em determinadas alturas, a diversos exames médicos e entrevistas.
 

Foram considerados fatores como a classe social dos pais na altura do nascimento da criança, bem como o facto de alguns grupos de mulheres serem menos predispostos a amamentarem e possuírem diferentes habilitações académicas. A classe social foi aqui encaixada numa escala que variava entre a não detenção de competências até à posição de quadro profissional ou de gestão. Os investigadores analisaram posteriormente as crianças que tinham subido socialmente, ou seja, aquelas que estavam numa classe social superior à do pai quando tinham 10 ou 11 anos de idade.
 

O estudo apurou que a amamentação fazia aumentar a possibilidade de ascensão social em 24%, reduzindo a hipótese de descida social em cerca de 20% para ambos os grupos de crianças. Foi também evidenciada uma maior tendência de ascensão social quanto maior tivesse sido o período de amamentação.
 

No entanto, este estudo não comprovou qualquer relação de causa e efeito e não se sabe que aspeto da amamentação (o contacto físico ou os nutrientes) é que fomenta os resultados. Segundo a autora, os nutrientes ajudam no crescimento e no desenvolvimento cerebral, conduzindo a um melhor raciocínio e eventualmente a um maior sucesso na vida adulta.
 

Este estudo vem dar voz a um anterior que teve resultados semelhantes e que foi realizado com 1.400 bebés nascidos entre 1937 e 1939 e acompanhados durante 60 anos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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