80% dos alunos querem deixar de fumar

Estudo apoiado pela Direção-Geral da Saúde

13 abril 2016
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Quatro em cada cinco alunos que fumam querem deixar de o fazer, mas não procuram ativamente ajuda, dá conta um estudo que analisou os comportamentos tabágicos dos jovens portugueses do terceiro ciclo e do secundário.
 
O estudo, apoiado pela Direção-Geral da Saúde, que decorreu ao longo do ano letivo de 2013/2014 envolveu cerca de quatro mil alunos de 31 escolas do país.
 
Quando questionados sobre se pensam deixar de fumar, 20% dos jovens disseram que não, “dados muito próximos dos que encontramos nos adultos, onde, em geral, os estudos indicam que cerca de 70% dos fumadores querem deixar de fumar”, disse à agência Lusa o coordenador do estudo e professor da Universidade da Beira Interior, Paulo Vitória. 
 
Os dados referem que apenas 15% dos jovens disseram que nunca tentaram reduzir ou deixar de fumar, “o que sugere que existe potencial em termos de ajuda”.
 
“Os jovens precocemente manifestam descontentamento com o facto de fumarem e manifestam a intenção de reduzir ou deixar de fumar”, mas “não partem para a ação, não procuram ajuda, mas isso é normal nesta faixa etária”, referiu o investigador.
 
Mesmo que os jovens pensem em deixar de fumar, não lhes ocorre que podem pedir ajuda a um médico, uma situação que exige “mais proatividade dos profissionais de saúde”, que devem ir às escolas e explicar aos jovens que podem beneficiar de ajuda médica, “uma coisa que não se faz”.
 
“Quando muito vamos à escola fazer prevenção na perspetiva de evitar ou atrasar a iniciação, mas raramente vamos à escola com o objetivo de ajudar os jovens a deixar de fumar”, disse. 
 
De acordo com Paulo Vitória, “os profissionais de saúde, em geral, quando trabalham na cessação tabágica desistem desta faixa etária com o argumento de que os jovens nesta faixa etária não procuram ajuda”, um preconceito que é preciso combater.
 
O estudo apurou ainda que a iniciação tabágica dispara entre o 7.º e o 9.º ano. No 7.º ano, cerca 70 a 80% dos jovens nunca fumaram um cigarro, uma percentagem que baixa para os 40% no 9.º ano.
 
Estes dados demonstram que “é fundamental colocar barreiras à iniciação tabágica”, referiu Paulo Vitória, lembrando que a iniciação precoce é uma “forte determinante do comportamento, do hábito e da dependência que pode verificar-se dois, três, quatro anos mais tarde”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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