65% das crianças de quatro anos come doces diariamente

Estudo da Universidade do Porto

22 dezembro 2014
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Os bolos e doces são consumidos pelo menos uma vez por dia por cerca de 65% das crianças de quatro anos e a quase totalidade ingere sal a mais, dá conta um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto.
 
Estes dados, aos quais a agência Lusa teve acesso e que foram revelados num relatório da Direção-geral da Saúde (DGS), refletem o acompanhamento dos hábitos alimentares de mais de oito mil crianças de quatro anos, nascidas em todos os hospitais e maternidades públicas do Porto em 2005 e 2006.
 
“Verifica-se uma ingestão de sódio acima do nível máximo recomendado em praticamente todas as crianças observadas (99%)”, refere o relatório.
 
De acordo com os questionários realizados sobre a frequência alimentar das crianças em idade pré-escolar, 73% consome uma a quatro vezes por semana snacks salgados (como piza, hambúrguer ou batatas fritas).
 
Relativamente aos doces, 65% das crianças consome-os diariamente, sendo os doces e pastéis os alimentos que mais contribuem, depois do leite e da carne, para a ingestão de ácidos gordos saturados.
 
“De referir o contributo dos doces e pastéis, com baixo valor nutricional, mas fornecendo 14,7% da gordura saturada consumida por estas crianças”, refere o documento da DGS.
 
O estudo apurou ainda que mais de metade das crianças de quatro anos avaliadas consome diariamente refrigerantes e néctares.
 
O coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Pedro Graça, considera que estes dados vêm mostrar que “a carga da responsabilidade que foi durante muito tempo atribuída à escola tem de ser retirada”.
 
“Estes hábitos inadequados começam muito cedo, em idade pré-escolar e no seio da família. É uma situação de preocupação”, disse o coordenador à agência Lusa.
 
O relatório da DGS avisa que os hábitos alimentares não saudáveis começam praticamente desde o nascimento: “depois de instalados parecem prevalecer e condicionar toda a juventude e idade adulta, o que demonstra a necessidade de intervir cada vez mais cedo junto de grávidas e famílias”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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