35 anos de Serviço Nacional de Saúde

Progressos e assimetrias territoriais

11 setembro 2014
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Apesar de todos os “progressos assinaláveis em todos os indicadores de saúde dos portugueses”, 35 anos após a criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), ainda persistem assimetrias territoriais que, em alguns casos, se agravaram, refere um estudo da Universidade de Coimbra.
 
De acordo com o estudo “Evolução dos indicadores de saúde ao longo dos 35 anos do SNS”, ao qual a agência Lusa teve acesso, “a transição epidemiológica não aconteceu da mesma forma em todo o país”, registando-se “alguns contrastes inter-regionais e intra-regionais, bem como as oposições norte-interior/norte-litoral, sul-interior/sul-litoral”.
 
“A análise regional e distrital da evolução, entre 1974 e 2012, das taxas de mortalidade infantil, neonatal, perinatal e específica de um a quatro anos demonstra ganhos em todo o território, embora a ritmos ainda diferentes, em função da evolução da demografia, das acessibilidades e das condições económicas e sociais dos distritos”, refere estudo.
 
A autora do estudo, Paula Santana, revelou à agência Lusa que, estas assimetrias persistem 35 anos depois da criação do SNS e, “em alguns casos, agravaram-se”.
 
“Apesar dos progressos assinaláveis em todos os indicadores de saúde dos portugueses, existirão sempre assimetrias em alguns indicadores, independentemente das medidas que possam ser tomadas”, acrescentou.
 
De acordo com Paula Santana, “tais assimetrias podem resultar, por exemplo, da composição etária das populações - populações mais envelhecidas apresentam piores de resultados em saúde do que populações mais jovens - ou de problemas de escala e acesso, já que pequenas povoações tendem a ser menos dotadas com equipamentos de saúde ou apoio social do que grandes aglomerações populacionais”. 
 
“O que importa é que a variação dos indicadores seja cada vez mais explicada por este tipo de causas e menos por efetivos problemas de acesso a cuidados de saúde e existência de condições habitacionais degradadas”, prosseguiu. 
 
Relativamente ao impacto no SNS dos constrangimentos associados ao ajustamento financeiro que Portugal sofre, Paula Santana considera que “ainda não se pode identificar, com exatidão, o impacte da crise financeira e dos ajustamentos que Portugal sofreu na saúde das populações”.
 
“O que se sabe é que esse impacto tem sentido diverso, com alguns indicadores podendo melhorar por causa da crise e outros podendo piorar”, indicou, exemplificando: “A redução de circulação rodoviária ou a redução do consumo de calorias (dentro de certos limites, claro) podem ter efeitos benéficos sobre a mortalidade rodoviária ou sobre as doenças cardiovasculares”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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