15% dos portugueses foram forçados a escrever com a mão direita

Estudo realizado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa

19 abril 2011
  |  Partilhar:

Cerca de 15% dos portugueses foram forçados pelos pais ou professores a escrever com a mão direita, dá conta um estudo realizado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

O estudo, que contou com a participação de mais de 1.000 portugueses, demonstrou que nas camadas etárias mais elevadas há um maior número de pessoas a referir ter sido forçada a escrever com a mão direita. No entanto, só 10% dos inquiridos com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos afirmaram ser destros por imposição.
 

O líder do estudo, Mário Cordeiro, revelou à agência Lusa que “a alta prevalência de indivíduos que foram forçados a escrever com a mão direita é um dado que consideramos de relevo. Numa amostra com predomínio de idades mais jovens seria de esperar um valor mais reduzido”.
 

“Desde há muito que se sabe que ser canhoto ou destro não é algo que se aprenda mas que, pelo contrário, é genético. Acredito que alguns professores e pais desejassem que o filho aprendesse a escrever com a direita para se sentirem menos vulneráveis, dado que o mundo está feito para destros. Mas é, de facto, chocante e há que alertar a população para o facto de que cada um é como é”, defende o pediatra e professor universitário.
 

O estudo realizado em Março, que contou com a participação de indivíduos com uma média de idades de 33,5 anos, concluiu que 10% da população é canhota e 4% é ambidestra. Do total de inquiridos, quase um terço acha que ser canhoto causa dificuldades no dia-a-dia, mas são os destros que mais dificuldades atribuem aos esquerdinos.
 

Os autores referem que a posição dos canhotos pode dever-se a “uma negação das dificuldades” ou ainda a uma superação, um “fenómeno de resiliência”.
 

O uso de tesouras, de abre-latas e da máquina fotográfica foram as tarefas quotidianas mais apontadas como trazendo maiores dificuldades para os canhotos. No campo das vantagens para os esquerdinos, surgiram o pagamento de portagens e a prática de boxe, esgrima ou capoeira.
 

No inquérito, os esquerdinos foram questionados sobre se preferiam ser destros, mas a grande maioria – 93% – respondeu que não. Contudo, são mais os canhotos que preferem ser destros do que o contrário, o que pode sugerir a existência de dificuldades no quotidiano.
 

Contudo, os autores sublinham que os canhotos mostraram uma tendência para atribuírem a si características positivas, como inteligência e criatividade, um comportamento que não se verificou nos que usam a mão direita.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 3Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.