15% das portuguesas com perturbação obsessivo-compulsiva pós-parto

Estudo realizado na Universidade de Coimbra

06 setembro 2019
  |  Partilhar:
Quinze por cento das mulheres portuguesas apresenta "sintomas clinicamente relevantes" de perturbação obsessivo-compulsiva (POC) no período pós-parto, conclui um estudo do Instituto de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
 
O estudo decorreu no âmbito do projeto "Screening, prevention and early intervention in perinatal psychological distress - effectiveness of a new program in primary healthcare", financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
 
O estudo, premiado com o Best Poster Award no World Congress on Women's Mental Health, promovido pela Associação Internacional para a Saúde Mental das Mulheres, envolveu 212 participantes, recrutadas maioritariamente na Maternidade Bissaya Barreto (Coimbra) e entrevistadas no 6.º mês pós-parto.
 
No total, 74,1% das inquiridas registaram pelo menos uma obsessão (pensamento ou imagem repetitivo, como o receio de deixar cair o seu bebé) e 41,5% apontaram pelo menos uma compulsão (comportamento repetitivo, como verificar repetidamente o bebé enquanto ele está a dormir). Só 24,1% não reportaram quaisquer obsessões ou compulsões.
 
"Estas obsessões ou compulsões não significam, por si só, que as inquiridas sofram de perturbação obsessiva-compulsiva – só 2,4% foram diagnosticadas como tal, o que distingue quem sofre de quem não sofre da doença não é o conteúdo dos pensamentos e comportamentos, mas sim o seu caráter repetitivo, intrusivo e perturbador da vida quotidiana", referem os investigadores.
 
Segundo a nota da UC, o trabalho conduzido pela equipa do Instituto de Psicologia Médica foi o primeiro a propor e aplicar uma versão portuguesa da Perinatal Obsessive-Compulsive Scale, o único instrumento utilizado a nível internacional para avaliar os sintomas da POC tendo em conta o contexto específico do período perinatal.
 
Para o futuro fica também a intenção de incluir os progenitores do sexo masculino nestas linhas de investigação. "É errado ficar com a ideia de que isto são coisas só das mulheres", conclui Ana Telma Pereira.
 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Comentários 0 Comentar