12 em cada 100 mulheres já abortaram

Resultados do estudo sobre fecundidade e contracepção em Portugal

05 novembro 2004
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Um estudo sobre fecundidade e contracepção em Portugal revelou que 12 em cada 100 entrevistadas já fizeram um aborto e que as gravidezes indesejadas ocorreram por causa de métodos contraceptivos inseguros, como as contas ou o coito interrompido. Coordenado pela socióloga Ana Nunes de Almeida, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, o livro «Fecundidade e Contracepção - Percursos de Saúde Reprodutiva das Mulheres Portuguesas» foi esta semana lançado em Lisboa. A obra traça «a história do avanço da contracepção em Portugal» e aborda num dos capítulos a questão da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), começando por salientar que «existe um défice de conhecimento particularmente relevante sobre a situação do aborto em Portugal». «As polémicas questões públicas em torno da despenalização do aborto escondem, nas suas tradicionais e simplistas dicotomias do «sim» ou do «não», uma panóplia de razões bastante mais complexa e diferenciada, pelas quais as pessoas se posicionam face a esta questão», alertam os autores do estudo. Dos inquéritos elaborados ao longo da investigação, chegou-se à conclusão que cerca de 12 por cento das mulheres entrevistadas referiram ter feito um aborto provocado - que num dos casos foi terapêutico - e 10 por cento das mulheres teve abortos espontâneos. A quase totalidade destas situações «aconteceu em franjas de mulheres adultas, em conjugalidade e com comportamentos contraceptivos de risco». As gravidezes não desejadas ocorreram devido à utilização de métodos inseguros - como as contas, o coito interrompido ou as espumas - e também devido à não utilização de métodos durante um certo período de tempo ou ainda porque a mulher se julgava erradamente protegida.  Foram ainda registados casos de esquecimento da toma da pílula. «Estamos perante mulheres que procuravam activamente controlar a sua fecundidade, ainda que utilizando formas inseguras de o fazerem ou falhando na utilização de uma ou outra forma de contracepção», lê- se no livro. Os autores frisam que «em nenhum caso estamos, pois, diante de uma situação em que o aborto apareça como uma forma regular de controlo dos nascimentos». Fonte: Lusa

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