11 razões para dizer não à descriminalização das drogas leves
15 setembro 2000
  |  Partilhar:

1º- Cada dia que passa, a comunidade científica menos aceita a divisão entre drogas "leves" e "duras" por reconhecer que o efeito das drogas depende muito mais da idade e das características do hospedeiro que as recebe, do que das características delas próprias, podendo uma droga dita "leve" como o haxixe, ser muito mais gravosa que uma droga dita dura como a cocaína ou a heroína.
 

 

2º- Senão vejamos: - o adolescente deve operar a passagem da infância à idade adulta. Em lugar de se confrontar com a realidade a fim de realizar a sua maturação psicológica e a sua adaptação, ele, através do consumo do haxixe (droga por onde normalmente se começa), vai refugiar-se num mundo imaginário.
 

 

3º-*Isto já de si é perigoso, mas pode ser ainda mais se isso fizer despertar aquilo que "dorme" dentro dele e que em muitos casos é preferível não abordar muito bruscamente neste período da vida.
 

 

4º- O fenómeno da "tolerância", isto é, a necessidade de aumentar as doses para sentir os mesmos efeitos, empurra, uma grande parte das vezes, o consumidor de haxixe para a droga rainha – a heroína.
 

 

5º- Heroína que é ainda muitas vezes a droga recomendada pelo dealer (cuja tendência a tornar-se respeitável comerciante ganharia assim volume) que "esgotou" o stock de haxixe, e que "simpaticamente" anuncia à sua vítima, que para não ir de mãos a abanar, como ele(a) até é boa pessoa, daquela vez até lhe oferece.
 

 

6º- Para a generalidade das pessoas o "des" irá ser interpretado como demissão, derrota, ou seja, convite para darem espaço às drogas nas suas vidas, para as aceitarem e se acomodarem a elas em detrimento do sentimento natural de aversão perante algo que, como se sabe, reconhecidamente modifica a disposição e os sentimentos, provoca dificuldades na atenção e na memória, aumentando as dificuldades em resolver problemas – com consequente quebra de rentabilidade escolar ou laboral – afectando por último, mais cedo ou mais tarde, a sua personalidade.
 

 

7º- Dizer que uma maior disponibilidade das drogas e a sua aceitação socio-legal, não iria aumentar o seu uso, seria, pensamos nós, desafiar a natureza humana.
 

 

8º- Para nós, a mensagem que a descriminalização das drogas leves transporta, é que se o seu uso é benevolente então é porque não faz mal! "Se fossem assim tão más elas não seriam descriminalizadas", seria esse, a nosso ver, o pensar duma grande parte das pessoas!
 

 

9º- Como corolário lógico, não espanta que aumente substancialmente o número de consumidores de haxixe, que, naturalmente, como se traduz no ponto 4º, irão engrossar com muita probabilidade mais tarde o pelotão dos consumidores de heroína, aumentando exponencialmente as listas de espera das unidades de tratamento de toxicodependentes.
 

 

10º- Com a descriminalização, ao contrário do que muitos apregoam, não se iria reduzir a criminalidade. É nosso entender que as pessoas continuariam a cometer crimes sobre a influência das drogas e continuariam a precisar de dinheiro para as comprar. E como se preveria que o consumo aumentasse – por uma maior aceitação socio-legal – não seria então lógico pensar que o crime também o pudesse acompanhar exponencialmente?
 

 

11º- A ser aprovada a lei que descriminaliza o consumo, dever-nos-emos consciencializar que, doravante, vai ser tarefa mais complicada pretender que alguém que se debata no terreno com um problema de toxicodependência procure, com a brevidade desejável, ajuda, por deixar de sentir suficientemente obstacularizado o seu comportamento, por ver removido por quem deveria olhar por si, o ónus da sua atitude desviante, dando-lhe a entender que ... tudo bem meu!
 

 

Dr. Manuel Pinto Coelho
 

MNI- Médicos na Internet

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.