11 de Setembro: psicólogos sobrevalorizaram efeitos do atentado terrorista

Especialista português levanta dúvidas

12 setembro 2011
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Os resultados preliminares de um estudo norte-americano revelam que os psicólogos sobrevalorizaram os efeitos dos ataques terroristas do 11 de Setembro de 2001, quando tentaram socorrer as vítimas, tendo usado métodos prejudiciais.

 

O documento deverá ser publicado durante este mês na revista “American Psychologist” e é um conjunto de artigos da responsabilidade de vários profissionais e supervisionado pela psicóloga da Universidade da Califórnia, Roxane Cohen Silver.

 

Um primeiro artigo, divulgado pelo diário “The New York Times”, revela que o estudo concluiu que os “psicólogos sobrestimaram os efeitos do 11 de Setembro” e que “especialistas acorreram para acalmar vítimas usando métodos que posteriormente se provaram ser prejudiciais”.

 

“Acho que há aqui alguns dados que poderão roçar o sensacionalismo, porque quando dizem que algumas das técnicas até poderão ter sido prejudiciais, é uma hipótese, mas duvido que o tenham sido de todo porque os Estados Unidos são um país com alguma prática nestas situações de intervenção comunitária e intervenção em crise”, explicou à agência Lusa, Mauro Paulino, psicólogo clínico e de acompanhamento.

 

Membro da Ordem dos Psicólogos, o profissional lembrou que os resultados para já conhecidos são “apenas uma panorâmica daquilo que são os estudos”, acreditando que “existam dados que sejam mais profundos”.

 

Mauro Paulino não tem dúvidas em afirmar que se aprendeu com o 11 de Setembro em termos de práticas clínicas ou métodos terapêuticos e dá como exemplo um livro de um psicólogo norte-americano “muito próximo daquelas problemáticas”, cujos capítulos “são quase capítulos da Bíblia”. Também não hesita em afirmar que o estudo, e as suas conclusões, poderão vir a pôr em causa muito do que hoje é dado como adquirido em termos de conhecimento psicológico. “Podem ser postas em causa, mas existem vários modelos de intervenção em crise e para nos debruçarmos sobre isto teríamos de saber que modelo foi usado para cada uma das amostras”, sublinhou.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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