”Portugal Saúde Mental em Números – 2013”

Jovens apanham bebedeiras mais rapidamente

14 outubro 2013
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Um quarto das crianças com menos de 11 anos já ingeriu bebidas alcoólicas e os jovens procuram apanhar bebedeiras cada vez mais rapidamente, através da introdução de álcool nos olhos, no ânus ou na vagina, refere um relatório da Direção-Geral da Saúde.
 

O relatório intitulado “Portugal Saúde Mental em Números – 2013” baseou-se num inquérito realizado em 2010 sobre os comportamentos em saúde entre as crianças de idade escolar. O documento, ao qual a agência Lusa teve acesso, revelou que 26,4% dos participantes com idade igual ou inferior a 11 anos já tinha experimentado bebidas alcoólicas e que 9,5% acabaram embriagados.
 

O documento refere que é entre os 12 e os 13 anos que se encontra a maior percentagem (41,9%) das crianças que já experimentaram bebidas alcoólicas.
 

O relatório destaca que, nas últimas décadas, o padrão de consumo tem-se modificado significativamente, com uma passagem do tendencialmente “mediterrânico” – diário, por vezes em volumes elevados, por adultos, e sobretudo de vinho – para o “anglo-saxonico” – quase só nos fins de semana, muitas vezes com “intenção de intoxicação aguda rápida (binge drinking)”, em idades cada vezes mais precoces e progressivamente mais feminino.
 

Um reflexo desta tendência de procura da “intoxicação aguda quase instantânea” entre os jovens é a adoção de práticas como a “instilação ocular ou a aplicação de tampões impregnados em bebidas alcoólicas destiladas no ânus, ou na vagina, áreas anatómicas em que a riqueza vascular permite absorções muito rápidas”, denunciam os autores do relatório, que lamentam a sobreposição dos interesses económicos aos da saúde pública.
 

“A tolerância dos costumes e o primado do interesse económico sobre a saúde pública vem permitindo permissividade familiar e social dos consumos, que sendo em menores de idade são sempre de risco, independentemente do volume de álcool ingerido”, refere o documento.
 

O relatório sublinha que o total de alunos do secundário, com risco mais elevado por serem menores de idade, tem mantido consumos crescentes, para todos os tipos de bebidas e em particular nos consumos de maior risco.
 

O documento conclui que “sendo o risco psicótico destas substancias potencialmente maior em idades mais jovens, o resultado [dos inquéritos] é inquietante”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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