“Mãe, pai, guardaram as minhas células?”

Deco alerta para eventuais violações da lei da publicidade

22 maio 2012
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A DECO mostra-se preocupada com a forma como está a ser passada a mensagem sobre a recolha de células estaminais do cordão umbilical num anúncio da crioestaminal e alerta para eventuais violações da lei da publicidade.

 

Em causa está um anúncio publicitário da crioestaminal, em que é apontada uma hipótese em 200 de as crianças virem no futuro a desenvolver doenças como leucemia, linfoma ou tumores sólidos, passíveis de serem tratadas com células estaminais das próprias ou de um irmão. O anúncio termina com a criança a perguntar: “Mãe, pai, guardaram as minhas células?”.

 

De acordo com o jurista da associação e defesa do consumidor Paulo Fonseca, a mensagem é a de que o filho, com uma doença, responsabiliza os pais pela não conservação das células.

 

“É proibida publicidade que ofenda valores e princípios consagrados. Causa-nos preocupação, este anúncio que pretende responsabilizar os pais por não terem guardado as células. Não é anúncio institucional, é comercial e visa um contrato de um valor que não é pequeno”, afirmou à agência Lusa.

 

A conjuntura económica e social do país adensa a preocupação da DECO, já que nem todos os pais têm condições económicas para celebrar um contrato desses, que no caso da crioestaminal ronda os 1.500 euros.

 

“Preocupa-nos a culpabilização de pais que não tenham condições e cria um estigma com a possibilidade de que uma criança que vê o anúncio vá perguntar aos pais se guardaram as suas células”, afirmou, considerando poder estar em causa o princípio a licitude.

 

“Estamos a falar de terapêuticas e questões relacionadas com a saúde. Isto vai culpabilizar os pais e sensibilizar demasiadamente a criança, que é um consumidor vulnerável”, sublinhou.

 

Na verdade dois médicos especialistas defenderam que é mera “futurologia” prometer que a recolha de células estaminais do cordão umbilical pode ser determinante na vida do seu portador, pois atualmente a única verdade científica é que praticamente não tem uso.
Em declarações à Lusa, o hematologista do IPO Nuno Mirand a, explicou que o que hoje se sabe com exatidão é que durante a infância esta utilidade é “praticamente nula”.

 

António Vaz Carneiro, médico e coordenador do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, partilha da mesma opinião, considerando que “comprar um serviço com medo de vir a sofrer uma doença no futuro é como não sair de casa com medo que lhe caia um meteorito em cima.”

 

De acordo com o hematologista do Instituto Português de Oncologia (IPO), a melhor opção é pelo Banco Público de Sangue do Cordão Umbilical, porque estas amostras podem ser usadas por qualquer doente no mundo, evitando recorrer à recolha de medula de dador. Quando se fala em recolher células do cordão umbilical para uso do próprio, a sua possível utilidade na infância é praticamente nula por se tratar de doenças genéticas, que já estão presentes nessas células.

 

A DECO aconselha assim a todos os consumidores que de alguma forma se sentirem lesados com o anúncio a apresentar queixa à Direção Geral do Consumidor (DGC).

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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