“Hormona do amor” e o seu possível papel na adição

Estudo publicado na revista “Pharmacology, Biochemistry and Behavior”

25 março 2014
  |  Partilhar:

O comportamento aditivo nomeadamente o consumo excessivo de drogas ou álcool pode estar associado com o desenvolvimento da chamada “hormona do amor” no organismo durante a infância, dá conta um estudo publicado na revista “Pharmacology, Biochemistry and Behavior”.
 

Esta ideia resultou da revisão de estudos realizados em torno da oxitocina, também conhecida como “hormona do amor”, uma vez que esta tem um papel importante nas interações sociais, comportamento materno e relacionamentos.
 

A investigadora da Universidade de Adelaide, na Austrália, Femke Buisman-Pijlman, refere que os recém-nascidos têm já oxitocina no organismo, a qual ajuda a criar a ligação afetiva entre a mãe e a criança. Contudo, o sistema da oxitocina não está completamente desenvolvido à nascença, parando apenas de se desenvolver aos três anos de idade. Desta forma, o nosso sistema está potencialmente sujeito a várias influências externas e internas. A investigadora defende que o desenvolvimento do sistema da oxitocina se baseia maioritariamente nas experiências.  
 

De acordo com Femke Buisman-Pijlman os principais fatores que afetam o sistema da oxitocina são genéticos, ambientais e de género. Apesar de os genes com que nascemos não poderem ser modificados, os fatores ambientais desempenham um papel importante no desenvolvimento do sistema da oxitocina.
 

Estudos anteriores demonstraram que há um grande grau de variabilidade nos níveis de oxitocina das pessoas. Foi neste contexto que os investigadores decidiram averiguar como, e por que motivo, as pessoas apresentavam estas diferenças, e se haveria forma de as modificar em benefício da saúde e bem-estar das pessoas.
 

Por outro lado, alguns estudos verificaram que alguns fatores de risco da adição já existem aos quatro anos de idade. Assim, de acordo com a investigadora, como o sistema da oxitocina só acaba de se desenvolver aos três anos de idade, esta pode ser uma janela de estudo importante. “A oxitocina pode reduzir a adição de substâncias ilícitas, mas apenas se o sistema se desenvolver adequadamente”, defende a investigadora.
 

Para Femke Buisman-Pijlman as adversidades sentidas no início da vida são a chave dos distúrbios de desenvolvimento do sistema da oxitocina. Estas adversidades podem incluir um parto difícil, privação ou infeção severa.
 

“O conhecimento sobre o que ocorre no sistema de oxitocina durante os primeiros anos de vida pode ajudar a desvendar os comportamentos aditivos e a desenvolver formas de tratamento e prevenção”, conclui a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.