“Gaivotas e praias são reservatórios para bactérias multirresistentes”

Estudo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

12 julho 2013
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As gaivotas de pata amarela que invadiram o centro do Porto são um reservatório de bactérias multirresistentes, de acordo com o professor de Segurança Alimentar no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, alertando para o homem deixar de alimentar aqueles pássaros.
 

O estudo intitulado “Gaivotas e praias são reservatórios para bactérias multirresistentes”, revelou que as fezes das gaivotas, recolhidas nas praias do Porto e de Matosinhos entre dezembro de 2007 e abril de 2008, tinham uma “elevada prevalência de salmonelas”.
 

O estudo, ao qual à agência Lusa teve acesso, também revelou que as gaivotas estavam a excretar bactérias multirresistentes” e o que impressionava mais era a sofisticação dos genes que essas bactérias tinham e que lhes davam um nível de resistência muito elevado aos antibióticos que são utilizados apenas ao nível hospitalar, acrescentou o professor de Segurança Alimentar no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto.
 

De forma a prevenir perigos para a saúde pública, nomeadamente nas zonas costeiras, o investigador aconselha a população em geral a deixar de dar alimento àquelas aves marinhas, mas salienta que também é necessário tratar bem os efluentes e tomar antibióticos de forma prudente.
 

“É preciso tomar os antibióticos de uma forma muito prudente, é preciso tratar muito bem os efluentes, porque entram na orla costeira nas zonas de estuários dos rios e (…) e é preciso que o ser humano não alimente estas aves para não criar desequilíbrios populacionais de outras aves da orla costeira”, explicou o investigador.
 

O que se está a colocar no meio ambiente, não é diluído nesse meio ambiente, havendo espécies, como as gaivotas, que ficam como reservatório e depois ampliam e devolvem às áreas que os humanos ocupam esses mesmos problemas que estamos a gerar, adiantou o veterinário.
 

“A devolução dessas bactérias pelas gaivotas é feita na orla costeira, mas também os espaços urbanos, acabando por disseminar esses micro-organismos por toda a cidade”, explica, adiantando que “quem faz recreio no Porto ou quem consome refeições ao ar livre está mais exposta por essa via”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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