“Emprego e Desemprego – Impacto na Saúde Mental”

Declarações do diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental

23 novembro 2012
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O desemprego provoca nos países mais desenvolvidos um aumento de ansiedade e depressão, enquanto nos países menos desenvolvidos induz um aumento do consumo de álcool e da taxa de suicídios, referiu o diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental.
 

“Nos países mais desenvolvidos, o que mais frequentemente se verifica é um aumento de episódios ansiosos e depressivos e nos países menos desenvolvidos um aumento muito relevante do consumo de bebidas alcoólicas e de taxa de suicídio”, revelou  Álvaro de Carvalho, diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental.
 

Em entrevista à agência Lusa no âmbito do simpósio “Emprego e Desemprego – Impacto na Saúde Mental”, que vai decorrer sábado, dia 24, no Porto, Álvaro de Carvalho, explicou que o impacto do desemprego na saúde mental é “variável”.
 

Varia conforme a “situação económica”, “social” e sobretudo da “organização mental” de cada indivíduo, porque há pessoas com maior ou menor capacidade de resiliência e em encontrar soluções nos contextos difíceis.
 

A crise económica e social aliada ao desemprego faz aumentar também aumentar as mortes violentas em geral, como homicídios e, em simultâneo, baixar o número de mortes por acidente de viação.
 

“O aumento não é só das mortes por suicídio, é das mortes violentas em geral, portanto homicídios, aumento de homicídio em crianças. Simultaneamente tem havido sempre um decréscimo do número de mortes por acidentes de viação, porque se anda menos de carro”, acrescentou.
 

Atualmente, a taxa de suicídio oficial em Portugal ronda os 10 por cada 100 mil habitantes, mas os peritos nacionais supõem que é capaz de haver um aumento da taxa do número de suicídios na ordem dos 20 a 25, adiantou o diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental.
 

Portugal é o segundo país da Europa com uma taxa mais elevada de mortes “por causa não identificada”, sendo o primeiro país a Estónia.
 

O sociólogo Elísio Estanque, da Faculdade de Economia de Coimbra, refere que com a crise atual e o consequente desemprego “abana o próprio edifício social” e é natural que em situações de desespero aumente a violência de rua, criminalidade e suicídios.
 

Os relatórios têm mostrado que há “um aumento de consumo de ansiolíticos, depressões e aumento assustador de suicídios”, revelou o sociólogo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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