“Duas faces da saúde”

Relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde

19 junho 2013
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O Observatório Português dos Sistemas de Saúde acusa o Ministério de ainda não ter feito um diagnóstico oficial aos efeitos da crise na saúde dos portugueses.

 

No Relatório Primavera 2013 intitulado “Duas faces da saúde”, o Observatório procura “mostrar a situação que se vive neste momento de grave crise”, analisando, entre outros dados, as medidas que foram introduzidas com o Orçamento de Estado para 2012, nomeadamente ao nível dos impostos e da Segurança Social, que resultaram na “redução do poder de compra”.

 

O documento, ao qual agência Lusa teve acesso, apresenta os dois mundos que os autores afirmam existir: O “oficial, dos poderes”, em que “as coisas vão mais ou menos bem, previsivelmente melhorando a curto prazo, malgrado os cortes orçamentais superiores ao exigido pela troika e a ausência de estratégia de resposta às consequências da crise na saúde da população” e o “da experiência real das pessoas”.

 

No mundo da experiência real das pessoas existe “empobrecimento, desemprego crescente, diminuição dos fatores de coesão social e também uma considerável descrença em relação ao presente e também ao futuro, com todas as consequências previsíveis sobre a saúde”.

 

“É altura destes dois mundos falarem um com o outro, aceitando a necessidade de reconhecer a realidade tal como ela é, para que todos possamos partilhar e colaborar numa resposta atempada e efetiva, que considere e atenue os efeitos da crise na saúde das pessoas e no sistema de saúde”, defendem os autores.

 

De acordo com o Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), “são visíveis os efeitos da crise - pouco monitorizados e avaliados – na saúde da população, mas também no sistema de saúde, agravados pela ausência de apoio àqueles que são os projetos estratégicos, de médio e longo prazo, deste setor”.

 

O Observatório exige que o sistema de saúde “responda prospectivamente, ou seja, avaliando previamente o impacto das diversas medidas na saúde dos cidadãos, preservando o sistema de saúde enquanto estabilizador automático social, monitorizando sistematicamente o impacte das diversas medidas adotadas e criando estruturas de resposta rápida, principalmente com base em estratégias de saúde”.
 

Sobre o Programa de Ajustamento, o OPSS refere que “foi possível adotar medidas que contribuíram para influenciar favoravelmente uma gestão mais eficiente dos recursos disponíveis para a área da saúde”.
 

Ao nível da política do medicamento, por exemplo, “verifica-se que a efetiva baixa de preços que se tem observado contribuiu para uma ligeira diminuição dos encargos dos utentes” com os fármacos.
 

Os autores sublinham ainda que, “apesar da conjuntura económico-financeira profundamente marcada pela restrição e contenção orçamental, o Ministério da Saúde foi capaz de gerir os recursos disponíveis de forma a pagar parte da dívida do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e com isso atenuar as limitações que daí advinham “.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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