“Dar força aos doentes com Esclerose Múltipla”

Estudo da Universidade Lisboa

09 dezembro 2014
  |  Partilhar:

Um em cada quatro doentes com esclerose múltipla foi obrigado a mudar o tipo de emprego que tinham devido à doença, revelou um estudo da Faculdade de Farmácia da Universidade Lisboa.
 

O estudo “‘EMpower’: Dar força aos doentes com Esclerose Múltipla” realizado em parceria com Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), analisou o impacto da esclerose múltipla (EM) nos doentes e seus cuidadores, tendo inquirido 400 doentes, 66% dos quais mulheres, com uma média de idades de 44,4 anos, e 70 cuidadores, com uma média de idades de 47,7 anos.
 

O estudo, ao qual agência Lusa teve acesso, refere que a doença “é um assunto de família, com um impacto significativo nos cuidadores informais” e que 16,2% dos cuidadores inquiridos prestam cuidados durante 24 horas e 23,6% durante uma a duas horas por dia.
 

Cerca de 29% disseram ter alterado o tipo de trabalho realizado, o que, para 84,2% dos casos, resultou numa diminuição dos seus rendimentos, e 11% afirmaram que tiveram de reduzir as horas de trabalho.
 

Para 61,7% dos doentes, tarefas habituais como o trabalho, o estudo ou o lazer, são feitas com muita dificuldade, e 30,7% afirmam ainda ter problemas em vestir-se ou tratar da sua higiene.
 

A vice-presidente da SPEM, Manuela Neves, disse à agência Lusa que nenhum cuidador classifica a respetiva qualidade de vida como muito boa, sublinhando que mais de 22% a classificam como má ou muito má. Estes resultados “espelham toda a realidade da esclerose múltipla em Portugal”, dos doentes e dos cuidadores, acrescentou.
 

Isto acontece porque “a esclerose múltipla é uma doença cujos pacientes estão dependentes em larga escala de familiares ou de pessoas próximas que cuidem deles, e há um afastamento muito grande daquilo que é a obrigação do Estado de apoiar estes doentes, daquilo que é o apoio verificado na realidade”, explicou a vice-presidente da SPEM.
 

“É alarmante pensar que uma pessoa com esclerose múltipla vive com menos de 500 euros por mês (como relataram 21% dos inquiridos) e que mais de 60% dos cuidadores não tem apoios na prestação de cuidados”.
 

Os autores da investigação referem que o estudo pretendeu obter uma “fotografia” da situação atual em Portugal sobre a vivência destes doentes, “pois a falta de dados sobre a maioria das doenças é um problema crónico” no país.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.