“Da Hepatite ao Cancro”

Alerta da presidente da Associação SOS Hepatites

21 maio 2012
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Oito em cada dez pessoas com hepatite C não sabe que estão infetadas, pois a doença não tem sintomas e progride silenciosamente até à cirrose ou ao cancro, alertou a presidente da Associação SOS Hepatites.

 

Assim, é fundamental que todas as pessoas solicitem ao médico de família para fazer o rastreio, de forma a detetar atempadamente uma infeção que, a cada 30 segundos, mata uma pessoa no mundo, revelou Emília Rodrigues, à agência Lusa.

 

A sensibilização do público em geral para a importância do rastreio é o foco da campanha que foi lançada no dia Internacional das Hepatites pela associação que apoia estes doentes.

 

A iniciativa “Da Hepatite ao Cancro” tem como objetivo revelar a estreita proximidade entre a infeção e o cancro no fígado – mais de 60% das mortes por este cancro estão relacionadas com o vírus da hepatite C -, que pode ser potenciada pela ausência de tratamento.

 

“A hepatite é uma inflamação do fígado. Há vários tipos de hepatite, da viral à alcoólica, e todas elas podem desenvolver cirrose e cancro de fígado. A hipótese de não chegar a esse ponto é diagnosticar a doença o mais cedo possível”, afirmou.

 

Segundo Emília Rodrigues, o vírus pode estar ativo no organismo durante 40 anos, sem sintomas. Há um “grupo de risco” que são os ex-combatentes, devido a uma injeção que levavam, antes de ir para África, com a mesma agulha.

 

A responsável explica que é mais difícil de convencer as mulheres a fazer o rastreio, porque a hepatite é uma doença que está muito associada ao álcool, droga e sexo, comportamentos mais associados aos homens. Contudo, há dois grupos de mulheres mais suscetíveis à infeção, as que fizeram abortos e as que foram mães antes de 1992, por terem levado transfusões e pontos.

 

Emília Rodrigues afirma que não há números exatos sobre a infeção, mas sabe-se que a doença está a aumentar entre toxicodependentes e que, na restante população, se estão a descobrir novos casos.

 

A Organização Mundial de Saúde estima que em Portugal existam 120 mil pessoas com hepatite B e 170 mil com hepatite C. Os últimos dados contabilizados pela SOS Hepatites, relativos a 2010, dão conta de que, só nesse ano, morreram 49 doentes devido à hepatite, 33 com cirrose e 16 com cancro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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