“Cortes cegos” põem em risco investigação nacional

Sobrinho Simões, diretor do IPATIMUP critica cortes do governo

13 março 2013
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Os cortes orçamentais impostos pela “troika” e a “frágil formação superior dos políticos” constituem um “cocktail perigoso” para a investigação nacional, critica Sobrinho Simões, diretor do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP).
 

Em afirmações à agência Lusa, o diretor comentou a redução de 25,2% nas transferências anunciadas pelo Estado para o instituto, que foi criado há 24 anos e que teve em 2012 o “melhor ano da sua vida”. “Se continuarem a cair sobre nós os cortes do Estado, a instituição pode estar em perigo. O Governo faz cortes cegos e acéfalos a toda a gente, sem avaliação. Isto é mortal”, salientou.
 

“Os nossos políticos têm um problema. Muitos deles têm uma formação superior muito frágil e não se apercebem do valor do ensino superior e da investigação. São vítimas da sua própria fraqueza. Por outro lado temos os ciclos eleitorais e, se juntarmos a isto a troika, temos um cocktail perigoso”, afirmou Sobrinho Simões. “Psicologicamente esta é uma mensagem errada”, acrescentou.
 

Recentemente, o IPATIMUP teve conhecimento que a verba de 1,2 milhões de euros” atribuída em 2012 passaria, na melhor das hipóteses, para 920 mil euros, ou seja, um sexto ou um sétimo do orçamento de seis milhões de euros”.
 

Sobrinho Simões comenta que “estamos afogados no nosso próprio sucesso. No limite não devíamos estar a fazer nenhum doutorado… Pois se não há possibilidade de eles terem uma solução profissional em Portugal…”
 

Ainda segundo o investigador, o IPATIMUP está “muitíssimo bem”, tanto na parte científica como financeira, sendo esperados resultados positivos no fecho das contas de 2012. O responsável no entanto chama a atenção para o facto de “o problema é quanto mais tempo” pode o instituto “continuar bem, se continuar a haver um desinvestimento do Estado nas instituições de ensino superior e de investigação”.
 

“O Estado pensa que pode haver ensino superior e investigação sem instituições. Não pode. Há uma ideologia, que não sei se é propositada ou se é incapacidade ou incompetência, de que é possível os génios florescerem em qualquer sítio, mesmo que não haja condições. Não há”, sublinhou.
 

O diretor esperava que o Governo “avaliasse as instituições e selecionasse as melhores que seriam recompensadas e consolidadas”, ao mesmo tempo que “fizesse a diminuição de atividade e fecho das piores”.
 

“Temos vindo a emagrecer, mas se continuarmos neste processo qualquer dia morremos”, concluiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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