“Bom” colesterol: como impede a inflamação?

Estudo publicado na revista “Nature Genetics”

11 dezembro 2013
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Uma equipa internacional de investigadores identificou de que forma o colesterol HDL, também conhecido como “bom “ colesterol, controla a resposta inflamatória, revela um estudo publicado na revista “Nature Genetics”.
 

Os níveis de colesterol elevados são a causa de depósitos prejudicais na corrente sanguínea, o que conduz ao endurecimento das artérias, aterosclerose. Este processo pode conduzir ao desenvolvimento de trombose, acidente vascular cerebral e enfarte agudo do miocárdio. O colesterol LDL é comummente referido como “mau” colesterol uma vez que promove a aterosclerose. Por outro lado, o colesterol HDL ajuda a transportar o excesso de colesterol para fora da corrente sanguínea e neutraliza a reação inflamatória nas paredes das artérias danificadas.
 

Há muito que se sabe que a função protetora do colesterol HDL tem por base a aterosclerose. Contudo, a causa molecular deste efeito protetor do colesterol HDL ainda não está perfeitamente clarificada. Alguns estudos demonstraram que as terapias que simplesmente aumentam os níveis deste colesterol não são suficientes para reduzir a incidência da aterosclerose. Os efeitos anti-inflamatórios do colesterol HDL nas células do sistema imunológico também são conhecidos, mas os mecanismos ainda continuam por desvendar.
 

Assim, neste estudo, os investigadores decidiram averiguar como o HDL atua nos processos inflamatórios. Ao longo de cerca de três anos, os investigadores realizaram estudos em células humanas e de ratinho de forma a determinar quais os genes regulados pelos níveis de colesterol HDL. Com ajuda de ferramentas genómicas e bioinformáticas, os investigadores foram capazes de “filtrar” um possível candidato.
 

O gene em causa é encontrado nos fagócitos, células do sistema imune inato que são capazes de detetar e digerir partículas invasoras. A distinção entre os agentes “bons” e “maus” é facilitada pela presença de recetores conhecidos por Toll-like receptors (TLR). No caso de o agente invasor ser prejudicial, os TLR podem também despoletar a produção de substância inflamatórias.
 

Os investigadores explicam que o sistema imunológico utiliza o processo inflamatório para deteção de tecidos danificados e para a sua futura reparação. Contudo, numa reação inflamatória continuada há também consequências perigosas como o envenenamento do sangue e a falha de órgãos. O que os autores deste estudo constataram é que o colesterol HDL é responsável por diminuir as reações inflamatórias, sendo assim um fator importante contra o desenvolvimento de inflamação crónica.
 

Um dos investigadores do estudo, Eicke Latz, e também diretor do instituto de imunidade inata da Universidade de Bonn, na Alemanha, conclui que estes resultados sugerem uma abordagem molecular para o tratamento da inflamação presente em várias doenças como a diabetes”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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